Montadora japonesa manterá apenas operação de motocicletas no país; crescimento da BYD e domínio de Hyundai e Kia pressionaram a marca no mercado sul-coreano
A Honda anunciou que encerrará as operações de sua divisão de automóveis na Coreia do Sul até o final de 2026. A decisão marca o fim de mais de duas décadas da atuação da montadora japonesa no segmento de carros no país asiático, onde continuará operando apenas com a venda de motocicletas.
Mesmo com a saída do mercado automotivo, a fabricante informou que manterá a rede de assistência técnica e suporte aos consumidores que já possuem veículos da marca. Atualmente, a Honda comercializa na Coreia do Sul modelos como Accord, CR-V, Odyssey e Pilot.
A empresa iniciou oficialmente suas vendas no país em 2004 e chegou ao auge em 2008, quando registrou cerca de 12 mil veículos vendidos em um único ano. No entanto, o desempenho despencou nos últimos anos, com volumes inferiores a 2 mil unidades anuais.
O cenário competitivo no mercado sul-coreano foi determinante para a decisão da marca. O setor automotivo local é amplamente dominado pelas gigantes Hyundai e Kia, enquanto o segmento de importados é liderado por marcas premium como Mercedes-Benz, BMW e Tesla.
Além disso, a rápida ascensão da chinesa BYD agravou ainda mais a situação da Honda no país. A montadora chinesa apresentou forte crescimento nos últimos meses e encerrou março na nona colocação do ranking de vendas, colocando dois modelos entre os dez carros mais vendidos da Coreia do Sul.
A pressão das fabricantes chinesas não afeta apenas o mercado sul-coreano. A Honda também enfrenta dificuldades em outros países asiáticos, como Tailândia, Indonésia e Malásia, onde as marcas chinesas vêm ampliando participação principalmente no segmento de veículos eletrificados.
Ao mesmo tempo, a montadora japonesa vem revisando sua estratégia global de eletrificação. Após apostar fortemente em veículos 100% elétricos, a empresa decidiu redirecionar seus investimentos para carros híbridos, segmento em que pretende fortalecer sua competitividade nos próximos anos. (Renan Isaltino)
Foto: divulgação HONDA











