Projeto prevê implantação de ponte sobre o Rio Piracicaba e interligação de via com dispositivos em construção na rodovia; obra vai durar 18 meses Vereadores, representantes da sociedade civil, entidades, conselhos municipais e a população em geral tiraram dúvidas sobre o projeto apresentado pela Prefeitura para a construção de uma via de acesso entre a Rodovia SP-304 – Geraldo de Barros, na região de Santa Terezinha, e a avenida das Ondas, no bairro Ondinhas. O tema foi abordado em audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Piracicaba, nesta quarta-feira (6), por iniciativa das comissões de Obras, Serviços Públicos e Atividades Privadas e de Legislação, Justiça e Redação, através do requerimento 435/2026. A informação é que a obra terá custo de R$ 50 milhões, em recursos disponibilizados pelo Governo do Estado, e será executada em um período de 18 meses, após a conclusão dos processos de licenciamento e licitação. A autorização para desafetação das áreas onde será construída a via está prevista no projeto de lei 82/2026, de autoria do Poder Executivo, que está em tramitação na Câmara. O projeto também regulariza a destinação dos trechos remanescentes para o parque natural, que anteriormente estavam previstos para a implantação de sistema de tratamento de água e esgoto. A audiência pública foi conduzida pelo presidente da Comissão de Obras, vereador Fábio Silva (Republicanos). “A mobilidade urbana é um tema complexo, que envolve planejamento, sustentabilidade e qualidade de vida e todas as vozes devem ser ouvidas nesse processo”, adiantou. O projeto foi apresentado pelo secretário municipal de Obras, Luciano Celêncio. Ele explicou que a concessionária Eixo, que administra a Rodovia SP-304, já disponibilizou um trecho, em frente ao Posto Bigaton, nas obras atualmente em andamento para a implantação de dois dispositivos, para encaixe do acesso à ponte projetada pela Prefeitura. A via passará sobre o Parque Natural Chico Mendes, atravessará o Rio Piracicaba e será interligada à avenida das Ondas, na rotatória do Residencial Vitória Régia. Serão 150 metros de ponte sobre o rio, projetada de forma a não ser afetada pela cheia do corpo d´água e, sobre o parque, a via será feita de forma elevada sobre pilares para preservar a passagem de animais. Será uma via com 19 metros de largura, com duas pistas de rolamento, canteiro central e passeio público para a implantação de ciclovia. Ao todo, será uma área de 20 mil metros de intervenção. O secretário colocou também que o primeiro passo será a construção da ponte, depois o alargamento da avenida das Ondas e, por último, a interligação com a rodovia. De acordo com o secretário, a obra vai auxiliar no escoamento do trânsito na região de Santa Terezinha. Ele lembrou também que o acesso mais próximo à avenida das Ondas atualmente é através da Ponte do Caixão, que possui fluxo diário de 32 mil veículos e já atingiu o limite. A construção da nova ponte é a primeira etapa de um projeto mais amplo, que prevê a interligação da via a um anel viário que chegará até a rotatória do Ceasa. Moradores da região e vereadores manifestaram preocupação com a possibilidade de transferência dos congestionamentos de um local para outro. Em relação a isso, Luciano Celêncio garantiu que faz parte do projeto a desapropriação de áreas, com processos já em andamento, para o alargamento da avenida das Ondas para eliminar os trechos atualmente estrangulados pelo trânsito oriundo dos condomínios do entorno em locais de pista simples. Durante a audiência, o secretário também foi questionado sobre a possibilidade de construção da ponte através de uma interligação com a SP-308, que liga Piracicaba a Charqueada. Ele explicou que essa foi a primeira tentativa da Prefeitura que, no entanto, foi descartada pela Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), já que a declividade da pista não permite a interligação. O estudo ambiental do projeto foi apresentado pela engenheira ambiental responsável, Denise Dedini. Ela disse que o parque natural apresenta estágios inicial e médio de regeneração da cobertura vegetal e apresentou as áreas que passarão por supressão de vegetação. De acordo com a especialista, a compensação ambiental se dará através de plantio de espécies e restauração ecológica dentro do próprio parque. Questionado sobre a aprovação do projeto pela Câmara para desafetação da área antes do licenciamento ambiental da obra, o secretário-executivo municipal de Meio Ambiente, Gustavo Martins, explicou que o processo não é finalizado sem a autorização legislativa. Disse ainda que o projeto obteve parecer favorável por unanimidade no Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) e que a Prefeitura vai buscar atender às recomendações feitas pelo conselho, como a elaboração do plano de manejo do parque natural. O vereador Gustavo Pompeo (Avante), presidente da CLJR, apresentou um ofício de 2021 que apresentou à Prefeitura para questionar sobre a mobilidade da região norte. “Essa ponte já deveria existir há muitos anos porque aquela área está cada vez crescendo mais e só tem três acessos para uma região de mais de 100 mil habitantes”, afirmou. Lembrou que há uma consulta pública em andamento, aberta no site da Prefeitura, na qual a população pode opinar em relação ao projeto. A vereadora Rai de Almeida (PT) ponderou a respeito de um estudo desenvolvido pelo professor Noedi Monteiro, que aponta a área prevista para a construção da ponte como patrimônio imaterial da Capitania de São Paulo, por onde passaria uma trilha indígena histórica. A vereadora Sílvia Morales (PV), do Mandato Coletivo A Cidade é Sua lamentou que seja necessário promover essa desafetação de áreas do parque natural para o sistema viário a fim de corrigir a falta de planejamento urbano das gestões passadas. “Ninguém nega a necessidade de escoamento nessa região, mas não era para estar assim porque o Plano Diretor indicava a área sul para o crescimento da cidade e não a região norte”, apontou. “O planejamento urbano tem que ser respeitado. Agora tem que tirar área do parque para fazer sistema viário”. Para o vereador Rafael Boer (PRTB), é necessário o planejamento completo para garantir que o fluxo não seja desviado de