No mercado de alimentos saudáveis, que cresce até 12% ao ano no Brasil, a Nutrimia se consolidou apostando em produtos sem glúten, sem lactose e sem açúcar refinado
O Brasil é hoje um dos maiores mercados de alimentos saudáveis da América Latina. Segundo a Euromonitor International, o setor de alimentos e bebidas voltado à saúde e ao bem-estar movimenta dezenas de bilhões de reais por ano, com crescimento médio entre 7% e 12% ao longo da última década.
Dentro desse cenário, cresce também a Nutrimia, marca de doces e salgados sem glúten, sem lactose e sem açúcar refinado que soma 13 anos de história, e que nasceu, como tantos negócios brasileiros, dentro de casa. A história da Nutrimia começa com Tássia Fontes, nutricionista e gastróloga especializada em personal diet, cozinha autoral, alimentação low carb, nutrição esportiva e dieta inclusiva. “A pedido de um lojista de produtos naturais, desenvolvi doces saudáveis transformando receitas da minha mãe normais para pessoas com restrições assim como eu”, conta Tássia.
O negócio cresceu de forma orgânica. Sem acesso a grandes linhas de crédito, Tássia usou o cartão de crédito para montar aos poucos sua primeira cozinha, dentro de casa, ao lado da mãe. “A primeira cozinha foi com muito suor e esforço, com 10 funcionárias, e à medida que foi crescendo, crescemos funcionários e espaço também. Já chegamos a 200 funcionários e funcionamento 24h, mas hoje atuamos com 80 funcionários”, relembra. Hoje a Nutrimia opera com fábrica própria, lojas físicas e um modelo de franquias, distribuindo para o Brasil inteiro por via aérea, terrestre e rodoviária. Os números ajudam a explicar o momento da marca.
Pesquisas do Good Food Institute (GFI) Brasil e estudos da Fiesp/Ibope apontam que mais de 80% dos brasileiros buscam uma alimentação mais saudável e estão dispostos a pagar um valor premium por produtos de maior qualidade nutricional ou apelo natural. O segmento free from, sem glúten, sem lactose, é um dos que mais crescem no país, com expansão estimada acima de 10% ao ano, puxada tanto por diagnósticos de celíacos e intolerantes quanto por quem adota dietas de exclusão por estilo de vida. Já a busca por reduzir o açúcar refinado do dia a dia, segundo levantamentos como os do Mintel e da Kantar, mobiliza mais da metade dos consumidores, movimento que impulsiona substitutos como xilitol, eritritol, stevia e mel. Na Nutrimia, esse público se traduz em uma base de clientes mais ampla do que se poderia imaginar. “Temos clientes de todos os tipos, devido ao sabor e qualidade do nosso produto, mas pessoas com intolerância são os maiores consumidores e pessoas que fazem reeducação alimentar”, explica Tássia, destacando que o público não se limita a quem tem restrições: inclui também intolerantes, alérgicos, diabéticos, celíacos e consumidores que simplesmente preferem o sabor dos produtos da marca ao dos convencionais. “Não mudou o perfil, mas o crescimento é cada vez maior.” A escolha dos adoçantes também tem raiz na região onde a marca nasceu, o Sergipe. “O mel é muito rico na minha região, e prefiro o natural do que adoçantes e outros açúcares, e a textura perfeita dos doces vem dele. Já o xilitol começou a ser utilizado de forma geral comercialmente falando; estamos em testes para trocá-lo em breve”, conta Tássia, sinalizando que a marca segue em constante revisão de fórmulas.
Para Tássia, o diferencial da Nutrimia vai além da lista de ingredientes que o produto não tem. “Nosso produto é de um sabor e qualidade única, que não existe em outro local. E não fazemos apenas produtos, conectamos nossa história e legado com pessoas. Foi através da minha dor e do meu conhecimento técnico que veio a criação das melhores receitas.” O processo criativo, segundo ela, é quase intuitivo, e depois, técnico. “Todo produto, ao fazer a primeira vez, sai perfeito. A partir dali faço a ficha técnica, custo e pesquisa de embalagem; com essa parte encaminhada, trabalhamos com marketing o lançamento.” Treze anos depois das primeiras marmitas vendidas dentro de casa, a Nutrimia segue no mesmo propósito que a fez nascer: transformar restrição alimentar em sabor, e, com isso, surfar um dos setores que mais crescem no país.













