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Funcionários dos Correios ocupam centro de tratamento em Indaiatuba durante greve e bloqueiam saída de cargas

Mobilização impede entrada e saída de encomendas e afeta entregas programadas para cidades da região; categoria cobra reajuste salarial e mudanças no plano de saúde

Funcionários dos Correios ocuparam, na madrugada desta quarta-feira (16), o Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas de Indaiatuba (SP), durante a greve iniciada pela categoria na noite do último dia 10. A mobilização bloqueou a entrada e a saída de cargas da unidade e passou a afetar o fluxo de encomendas destinado a diversas cidades da região.

A ocupação tem como objetivo pressionar a direção dos Correios pela retomada das negociações trabalhistas. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de Campinas e Região (Sintect-Cas), os trabalhadores são contrários à proposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

Entre as principais reivindicações estão questões relacionadas ao reajuste salarial e ao plano de saúde oferecido aos funcionários.

De acordo com o sindicato, a proposta apresentada pela direção dos Correios prevê um reajuste de 0,20% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), percentual considerado insuficiente pela categoria para repor as perdas provocadas pela inflação.

Os trabalhadores também contestam mudanças nas regras do plano de saúde. Segundo o sindicato, o aumento dos custos do benefício já teria levado mais de 30 mil funcionários a deixarem o convênio por não conseguirem arcar com as mensalidades.

Impacto nas entregas

Com a ocupação do Centro de Tratamento de Indaiatuba, cargas que normalmente passam pela unidade tiveram o fluxo interrompido. A paralisação pode provocar atrasos no tratamento e na distribuição de encomendas destinadas às cidades atendidas pela estrutura.

Em nota, os Correios informaram que adotaram medidas judiciais para garantir o acesso à unidade e afirmaram que estão remanejando a carga postal para outros centros operacionais.

A empresa também informou que funcionários das áreas administrativas estão sendo mobilizados para auxiliar nas atividades operacionais. Além disso, veículos estão sendo remanejados e mutirões de entrega estão sendo realizados com o objetivo de reduzir os impactos da greve aos clientes.

Os Correios afirmaram ainda que as agências permanecem abertas e funcionando normalmente.

Greve e decisão do TST

A paralisação ocorre após o encerramento de uma tentativa de mediação entre a empresa e os trabalhadores, sem que fosse alcançado um acordo. As assembleias realizadas pelos sindicatos rejeitaram a proposta apresentada para o ACT 2026/2028 e aprovaram a greve.

Diante do impasse, os Correios ingressaram, na sexta-feira (11), com um pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

No sábado (12), o TST determinou, em decisão liminar, que pelo menos 80% do efetivo dos Correios permaneça trabalhando em cada unidade ou estabelecimento durante a paralisação.

A determinação abrange setores de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte consideradas indispensáveis para a manutenção da cadeia postal.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para a próxima segunda-feira (21), às 13h30. Até lá, as partes ainda podem chegar a um acordo.

Os Correios afirmaram que respeitam o direito de greve dos trabalhadores, mas destacaram que a paralisação acontece em um momento de dificuldades econômico-financeiras para a estatal.

A empresa informou que mantém como prioridades a redução de despesas, o aumento da eficiência, a modernização das operações e a busca por novas fontes de receita.

Enquanto o impasse não é resolvido, a paralisação dos trabalhadores e a ocupação do centro de tratamento em Indaiatuba podem provocar reflexos no prazo de entrega de correspondências e encomendas em cidades da região. (Renan Isaltino)

Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

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