Veto total do Executivo ao projeto de lei 345/2025 foi acatado por 7 votos a 6, com uma abstenção, durante a 45ª Reunião Ordinária, realizada nesta quinta-feira (27)
A Câmara manteve, na noite desta quinta-feira (27), o veto total do prefeito Helinho Zanatta (PSD) ao projeto de lei 345/2025, que assegurava ao consumidor atendido pelo Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) o direito de solicitar a instalação gratuita de dispositivo eliminador de ar na tubulação antes do hidrômetro. O veto foi acatado por 7 votos a 6, com uma abstenção, durante a 45ª Reunião Ordinária.
De autoria do vereador Laércio Trevisan Jr. (PL), o projeto havia sido aprovado pela Câmara no final de junho e encaminhado ao Executivo para sanção —com a manutenção do veto, a proposta não se transforma em lei. O projeto partia do entendimento de que volumes de ar presentes na tubulação, especialmente após interrupções ou manutenções na rede de abastecimento, poderiam passar pelo hidrômetro e ser registrados como consumo.
Ao defender a derrubada do veto, Trevisan afirmou que o projeto buscava dar ao consumidor a possibilidade de solicitar ao Semae a instalação gratuita de equipamento que eliminasse o ar. Ele contestou o argumento apresentado pelo Executivo de que a colocação do dispositivo antes do medidor dificultaria a manutenção e exigiria a remodelação do cavalete.
“É uma peça mínima. Isso vai dificultar o quê?”, questionou. Para Trevisan, a proposta “defende o direito à escolha do consumidor, busca evitar cobrança indevida por passagem de ar na tubulação e fortalece a transparência e a justiça na conta d’água”. “Se não deve, não teme. Deixe o cidadão solicitar a instalação do bloqueador de ar”, completou.
O Executivo vetou integralmente o projeto sob os argumentos de ilegalidade e contrariedade ao interesse público. A Prefeitura sustenta que a regulamentação das condições de prestação, operação e manutenção do abastecimento de água em Piracicaba cabe à Ares-PCJ (Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), competência delegada pelo município.
As razões do veto também apontam que uma resolução da agência reguladora considera irregular a instalação de aparelhos eliminadores de ar e que não há comprovação suficiente da eficácia e da segurança operacional dos dispositivos.
Líder do governo Helinho Zanatta na Câmara, o vereador Josef Borges (PP) defendeu a manutenção do veto e apresentou, durante a discussão, resultados de estudos realizados por instituições públicas de ensino superior sobre o funcionamento dos equipamentos. Segundo ele, pesquisas indicam que a redução de consumo atribuída aos dispositivos pode decorrer da diminuição da pressão e do fluxo de água, sem que haja efetivamente o bloqueio do ar.
“Esses dispositivos não funcionam como prometido. Não existe controle de ar. E essa não é uma opinião isolada, não é uma opinião só minha”, afirmou. Josef Borges citou estudos de instituições como as universidades federais de Goiás, Brasília, Itajubá, Minas Gerais e Juiz de Fora e destacou possíveis riscos de contaminação da água e de redução da pressão.
O vereador também mencionou o posicionamento do Inmetro sobre a ausência de dispositivos eliminadores ou bloqueadores de ar aprovados pelo órgão. “Antes de criarmos uma expectativa na população de que a instalação de um aparelho vai diminuir sua conta d’água, precisamos apresentar estudos técnicos, certificação, segurança sanitária e comprovação de eficácia”, ponderou.
O vereador Fabrício Polezi (PL), que também defendeu o veto, reconheceu a preocupação do autor do projeto com a cobrança pelo consumo, mas argumentou que o equipamento proposto não seria a solução para o problema. “Ninguém defende que o consumidor pague aquilo que não consome”, afirmou.
O parlamentar reforçou que os estudos apresentados durante a sessão indicam que a instalação pode provocar perda de pressão e, consequentemente, reduzir a vazão dentro do imóvel. “O balde demora mais para encher, o chuveiro fica mais fraco, a caixa d’água demora mais para encher”, exemplificou.
Fabrício Polezi defendeu que o enfrentamento do problema deve ocorrer por outras medidas no sistema de abastecimento. “Vamos tirar o ar? Vamos. Com continuidade de abastecimento, com redução de perdas, com troca de hidrômetro velho, com aferição gratuita do medidor para quem está apresentando algum problema”, listou.
Além de deliberarem sobre o veto, os vereadores aprovaram 26 proposituras durante a 45ª Reunião Ordinária: 12 moções, oito requerimentos, dois projetos de decreto legislativo e quatro projetos de lei, entre eles o de número 357/2025, que altera e acrescenta dispositivos na lei municipal 6.246/2008, de consolidação das leis locais que dizem respeito aos direitos das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Duas moções de apelo foram aprovadas, ambas direcionadas ao prefeito Helinho Zanatta: a 373/2026 pede que sejam adotadas medidas de apoio à Apae Piracicaba, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela entidade, enquanto a 380/2026 apela que seja assegurada, no âmbito do projeto de lei complementar 15/2026, a manutenção da gratificação de pronto-socorro correspondente a 40% do salário-base, prevista na lei municipal 3.915/1995, aos servidores que atualmente fazem jus ao benefício, “ainda que a implantação da jornada em escala 12×36 implique o encerramento do regime de turnos ininterruptos”.
Inicialmente pautado na sessão, o projeto de lei 126/2026, que busca instituir o programa municipal “Zona Escolar Segura”, recebeu substitutivo e, por isso, saiu da pauta. Já o Primeiro Expediente teve a entrega da moção de aplausos 310/2025, do vereador Edson Bertaia (MDB), à pastora Damaris de Camargo Dias Fernandes em reconhecimento aos serviços prestados à comunidade piracicabana e à Igreja do Evangelho Quadrangular.
Foto: Câmara de Piracicaba













