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É falso que afélio seja responsável pelo frio e aumento de doenças respiratórias, alertam especialistas

Mensagem que circula nas redes sociais distorce dados sobre a distância entre a Terra e o Sol e espalha informações incorretas

Uma mensagem que voltou a circular nas redes sociais afirma que o afélio, período em que a Terra atinge a maior distância em relação ao Sol, seria responsável pela queda das temperaturas até agosto e pelo aumento de doenças respiratórias. No entanto, as alegações são falsas e já foram desmentidas por especialistas.

A corrente, compartilhada desde pelo menos 2022, voltou a ganhar força neste ano. O texto afirma que a Terra ficaria a 152 milhões de quilômetros do Sol, o que representaria uma distância 66% maior do que a habitual, e atribui ao fenômeno as baixas temperaturas registradas durante o inverno.

Em análise feita pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), a professora e doutora em Física Aplicada Márcia Akemi Yamasoe explicou que o afélio não é responsável pelo frio nem provoca doenças respiratórias.

Segundo a especialista, a órbita da Terra ao redor do Sol é levemente elíptica, fazendo com que a distância entre os dois corpos varie ao longo do ano. No afélio, essa distância chega a cerca de 152,6 milhões de quilômetros, enquanto no periélio, ponto de maior aproximação, fica em aproximadamente 147,5 milhões de quilômetros.

A informação divulgada na corrente de que a distância normal entre a Terra e o Sol seria de 90 milhões de quilômetros também é incorreta. De acordo com a Nasa, a distância média é de cerca de 150 milhões de quilômetros.

Os especialistas destacam que as baixas temperaturas do inverno estão relacionadas à inclinação do eixo da Terra e à menor incidência de luz solar em determinadas regiões do planeta, e não à variação da distância em relação ao Sol. O frio, por sua vez, pode favorecer a circulação de vírus e aumentar a incidência de doenças respiratórias, mas não é causado pelo afélio.

Dessa forma, a mensagem compartilhada nas redes sociais contém informações enganosas e não possui respaldo científico. (Renan Isaltino)

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