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Trump acusa Dinamarca de não conter Rússia na Groenlândia e diz que ‘chegou a hora’

Republicano tem defendido abertamente a incorporação da ilha pelos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar a Dinamarca em relação à Groenlândia, alegando que o país europeu falhou em conter a influência russa sobre o território.

Em publicação na rede Truth Social neste domingo (18), Trump afirmou que “chegou a hora” de resolver a questão. “Isso será feito”, completou.

Na publicação, o presidente afirma que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) vem alertando há duas décadas sobre a necessidade de reduzir a presença russa na região, mas o governo dinamarquês “não fez nada” para enfrentar o problema.

O republicano tem defendido abertamente a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos. A proposta, rejeitada tanto por Copenhague quanto pelo governo autônomo da ilha, reacendeu tensões diplomáticas.

Líderes dinamarqueses reiteraram que o território não está à venda e que a Groenlândia já é protegida pelo acordo de defesa coletiva da Otan.

No sábado (17), Trump também ameaçou impor tarifas sobre parceiros europeus até que Washington obtenha autorização para negociar a compra da ilha.

Ele argumenta que o aumento da presença chinesa e russa no Ártico torna a Groenlândia estratégica para a segurança dos EUA.

O final de semana na Groenlândia foi marcado por protestos contra o mandatário americano. Manifestantes carregavam cartazes de protesto, agitavam a bandeira nacional e entoavam: “A Groenlândia não está à venda”, em apoio à sua autonomia diante das crescentes ameaças de uma anexação americana.

UE se mobiliza para evitar tarifas de Trump

Embaixadores da UE (União Europeia) chegaram a um amplo acordo no domingo para intensificar os esforços para dissuadir Trump de impor tarifas aos aliados europeus, ao mesmo tempo em que preparam medidas de retaliação caso as tarifas sejam aplicadas, disseram diplomatas da UE.

Trump prometeu no sábado (17) implementar uma série de aumento de tarifas a partir de 1º de fevereiro sobre os membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Finlândia), juntamente com o Reino Unido e a Noruega, até que os Estados Unidos tenham permissão para comprar a Groenlândia, medida que os principais estados da UE condenaram como chantagem.

Os líderes da UE devem discutir opções em uma cúpula de emergência em Bruxelas na quinta-feira (22). Uma das opções é um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 500 bilhões) de importações dos EUA, que poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses.

A outra opção é o “Instrumento Anti-coerção”, nunca utilizado até o momento, que poderia limitar o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, ou restringir o comércio de serviços, no qual os EUA têm um superávit com o bloco, incluindo serviços digitais.

O pacote tarifário pareceu obter um apoio mais amplo como primeira resposta do que as medidas anti-coerção, cujo panorama era atualmente “muito variado”, segundo uma fonte da UE.

Diálogo em Davos

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, que preside as cúpulas da UE, afirmou em uma publicação nas redes sociais que suas consultas com os membros da UE demonstraram seu forte compromisso em apoiar a Dinamarca e a Groenlândia e sua disposição em defendê-las contra qualquer forma de coerção.

O ministro dinamarquês das Relações Exteriores, Lars Lokke Rasmussen, em visita ao seu colega norueguês em Oslo, disse que a Dinamarca continuaria a se concentrar na diplomacia, referindo-se a um acordo que a Dinamarca, a Groenlândia e os Estados Unidos fizeram na quarta-feira para criar um grupo de trabalho.

“Os Estados Unidos também são mais do que o presidente dos Estados Unidos. Eu acabei de estar lá. Há também freios e contrapesos na sociedade norte-americana”, acrescentou.

Os esforços de diálogo da UE provavelmente serão um tema fundamental do Fórum Econômico Mundial em Davos, onde Trump fará um discurso de abertura na quarta-feira (21), em sua primeira participação no evento em seis anos.

“Todas as opções estão sobre a mesa, conversas em Davos com os Estados Unidos e os líderes se reúnem depois disso”, disse um diplomata da UE ao resumir o plano da UE.

Os oito países envolvidos, que já estão sujeitos a tarifas dos EUA de 10% e 15%, enviaram um pequeno número de militares para a Groenlândia, à medida que se intensifica a disputa com os Estados Unidos sobre o futuro da vasta ilha ártica da Dinamarca.

“Ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e arriscam uma perigosa espiral descendente”, disseram em uma declaração conjunta publicada no domingo, acrescentando que estavam prontos para dialogar, com base nos princípios de soberania e integridade territorial.

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen disse em uma declaração por escrito que estava animada com as mensagens consistentes do resto do continente, acrescentando: “A Europa não será chantageada”.

A ameaça tarifária perturbou os mercados globais, com a queda do euro e da libra esterlina em relação ao dólar e a expectativa de um retorno à volatilidade.

 

Fonte: R7

Foto: Marko Djurica/Reuters

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