
Operação “Quebrando a Banca” desarticula organização criminosa ligada à lavagem de dinheiro no Interior Paulista
Movimentações milionárias chamaram atenção da investigação A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio do DEIC – DEINTER 9 de Piracicaba, deflagrou nesta terça-feira (13) a Operação “Quebrando a Banca”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro oriundo da exploração de jogos de azar. A ação foi coordenada pela SECCOLD (Seção de Combate aos Crimes contra a Ordem Tributária e Lavagem de Dinheiro) e teve como alvo a estrutura financeira do grupo criminoso conhecido como “Pavão de Ouro”, que atuava há décadas em cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com a Polícia Civil, as investigações revelaram uma complexa rede de ocultação e dissimulação de ativos, que utilizava empresas de fachada, interpostas pessoas (“laranjas”) e transações imobiliárias em dinheiro vivo para mascarar a origem ilícita dos recursos provenientes de jogos de azar. Movimentações milionárias chamaram atenção da investigação Os trabalhos investigativos foram fundamentados em Relatórios de Inteligência Financeira, que apontaram movimentações bancárias estratosféricas e incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados. O principal líder da organização, identificado como A.U.C.M., teria movimentado mais de R$ 25 milhões em apenas um semestre de 2024, além de apresentar histórico de transações milionárias em períodos anteriores. Segundo a Polícia Civil, a cúpula do grupo, composta ainda por G.F.V.M. e M.S.F.M., utilizava-se da aquisição de imóveis pagos em espécie e da compra de bens em nome de terceiros para ocultar a origem dos valores. Rede de operadores financeiros e uso de “smurfing” A estrutura operacional da organização contava com gerentes e operadores financeiros-chave, identificados como R.P.C., B.B.B., S.A.F.S., A.L.D. e C.L.D., responsáveis por pulverizar grandes quantias de dinheiro por meio de centenas de transferências via PIX e depósitos em espécie, prática conhecida como “smurfing”, comum em esquemas de lavagem de dinheiro. A investigação também apontou a atuação do braço empresarial do grupo, a S. Apostas Ltda, empresa com capital social declarado de R$ 36 milhões, que servia como destino para vultosas transferências realizadas pela liderança da quadrilha. Patrimônio da quadrilha ultrapassa R$ 97 milhões De acordo com a Polícia Civil, o montante total de ativos e valores movimentados pela organização criminosa — somando movimentações bancárias suspeitas, capital social das empresas envolvidas, patrimônio imobiliário oculto e uma frota de veículos avaliada em aproximadamente R$ 18 milhões — chega a R$ 97.295.634,27. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais arrecadaram dispositivos eletrônicos, instrumentos utilizados em apostas, veículos e valores em dinheiro, que passarão por perícia e análise financeira. Investigações continuam A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar outros integrantes da organização criminosa, ampliar o rastreamento dos ativos e aprofundar a responsabilização penal dos envolvidos pelos crimes de lavagem ou ocultação de bens, associação criminosa e exploração de jogos de azar. (Renan Isaltino)










