Boletim divulgado pelo Cepagri em 1º de outubro aponta chuvas acima da média e temperaturas que podem ultrapassar o padrão para o mês A Prefeitura de Campinas disse que acompanha as condições meteorológicas e seus efeitos no município, especialmente na arborização, nas áreas verdes e na prevenção de ocorrências relacionadas ao tempo. Um boletim meteorológico divulgado pelo Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp na quinta-feira, 1º de outubro, aponta chuvas acima da média e temperaturas acima do padrão para outubro na região de Campinas. O levantamento, elaborado pelo meteorologista Bruno Kabke Bainy, também faz um balanço de setembro, que teve o maior volume de chuva registrado para o mês na série histórica do Cepagri. O cenário reforça a previsão de uma primavera marcada por grande variabilidade nas condições do tempo. Um dos sinais dessas mudanças já pode ser observado na vegetação de Campinas. Segundo Márcia Calamari, diretora do Departamento Técnico Ambiental (DTA) da Secretaria de Serviços Públicos, o ipê-branco floresceu mais cedo neste ano e apresentou uma coloração diferente do padrão habitual. As flores, que normalmente apresentam predominância do branco, tiveram tonalidade mais rosada. As alterações nas temperaturas e no regime de chuvas também podem influenciar os ciclos de diferentes espécies, com efeitos sobre períodos de floração, frutificação, reprodução e migração. Na Fundação José Pedro de Oliveira (FJPO), gestora da Mata de Santa Genebra, o biólogo Thomaz Barrella explica que a primavera é naturalmente uma estação de transição entre o inverno e o verão, mas as mudanças climáticas vêm alterando esse padrão. “Em 2026, com a formação do fenômeno El Niño de grande intensidade, observamos um aumento precoce no volume de chuvas e grande oscilação entre períodos de altas e baixas temperaturas”, afirma. De acordo com o biólogo, espécies que dependem de condições ambientais específicas podem ser especialmente afetadas, com alterações na atividade e na população de determinados grupos. “As mudanças podem impactar o equilíbrio ecológico e a saúde das áreas naturais, provocando alterações que podem se tornar permanentes e comprometer toda a dinâmica ambiental”, explica Barrella. Chuva excepcional em setembro De acordo com o balanço do Cepagri, setembro de 2026 foi marcado por um volume excepcional de chuvas, com 309,9 milímetros acumulados, cerca de cinco vezes o volume médio para o mês, de 62 milímetros. Foi o maior acumulado para setembro desde o início da série histórica, em 1991. O mês também registrou 15 dias com chuva, contra uma média de aproximadamente seis. Houve grande contraste entre as duas quinzenas: a primeira teve maior frequência de chuvas e temperaturas mais amenas, enquanto a última semana foi predominantemente quente e estável, com a configuração de uma onda de calor. Para outubro, o Cepagri indica chuvas acima da média na Região Metropolitana de Campinas, com anomalia estimada em torno de 50 milímetros em relação ao padrão climatológico. Em relação às temperaturas, a previsão é de valores em torno ou acima da média, com anomalia mensal estimada em aproximadamente 0,5°C. O prognóstico indica maior concentração de dias quentes nos primeiros dez dias do mês e no fim de outubro, intercalados por um período com temperaturas em torno ou ligeiramente abaixo da média. Relação com o El Niño Segundo a pesquisadora Ana Maria Heuminski de Avila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, 2026 vem apresentando um cenário climático bastante atípico. O inverno teve chuvas acima da média e períodos de maior umidade, especialmente em junho. Conforme os registros do Centro, o mês de setembro também registrou volumes expressivos de chuva. A pesquisadora ressalta, porém, que nem todas as características observadas neste ano podem ser associadas diretamente ao El Niño. Segundo ela, a ciência ainda precisa de estudos para compreender todos os fatores envolvidos na variabilidade climática registrada em 2026. Entre as relações já cientificamente identificadas está a maior umidade observada em junho, característica que pode ocorrer em anos de El Niño. “A expectativa é de uma primavera mais quente e com bastante variabilidade. Podemos ter chuvas concentradas, acompanhadas de temporais, intercaladas com períodos de dias quentes e até ondas de calor. Teremos dias bastante ensolarados e outros com chuva. Essa expectativa está bastante alinhada com o que observamos em anos de El Niño. Mas é importante destacar que precisamos continuar acompanhando e estudando as condições climáticas para compreender os diferentes fatores que estão influenciando este ano”, explica Ana Maria. O prognóstico do Cepagri aponta que o El Niño, já presente, deve se intensificar e permanecer na categoria “muito forte” até o fim do verão. O relatório destaca que a intensidade do fenômeno não significa necessariamente impactos mais severos, mas indica que determinados efeitos se tornam mais prováveis. Para o Sudeste brasileiro, o principal impacto associado ao fenômeno é a ocorrência de temperaturas elevadas, acima da média, que podem se traduzir em maior recorrência de períodos quentes e ondas de calor. Na região de Campinas, a pesquisadora destaca ainda as características do clima tropical, que favorecem mudanças rápidas ao longo do dia. É comum que as manhãs comecem com céu aberto e que a nebulosidade aumente rapidamente, favorecendo a formação de tempestades. Com a chegada da primavera, a amplitude térmica tende a diminuir, com noites mais quentes em comparação com o inverno. Atenção às mudanças do tempo Diante da possibilidade de alternância entre períodos de calor, chuva intensa e temporais, a Defesa Civil de Campinas reforça a importância de a população acompanhar as condições meteorológicas e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais. O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, destaca que a mudança de estação exige atenção às condições do tempo. “A primavera traz mudanças rápidas nas condições meteorológicas, com períodos de calor e possibilidade de chuvas fortes e temporais. Por isso, é importante que a população acompanhe os alertas da Defesa Civil e siga as orientações de segurança sempre que houver previsão de condições adversas.” Como receber os alertas A população pode receber os alertas da Defesa Civil diretamente no celular por meio do