Criada em 1996 para suprir a falta de assistência especializada a recém-nascidos graves, unidade superou desafios, acompanhou a evolução da medicina e se consolidou como referência para 26 municípios da região, da DRS-10 de Piracicaba Há 30 anos, a inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Santa Casa de Limeira representou um marco para a assistência aos recém-nascidos da cidade e região. Criada em 1996 para atender bebês prematuros e em condições clínicas graves, a unidade chega às três décadas de funcionamento com estimativa de 5,4 mil bebês atendidos e uma trajetória marcada pela superação de desafios, pelos avanços da medicina e pela dedicação de gerações de profissionais. Antes da implantação do serviço, a assistência neonatal enfrentava limitações estruturais e tecnológicas. Recém-nascidos que necessitavam de cuidados intensivos frequentemente precisavam ser transferidos para hospitais de outros municípios, em deslocamentos que representavam riscos adicionais. A criação da UTI Neonatal, por iniciativa de uma equipe multiprofissional e com o apoio da instituição, ampliou as possibilidades de atendimento especializado e marcou o início de uma nova etapa na assistência hospitalar. Os primeiros anos, entretanto, foram desafiadores. Em uma época em que a neonatologia intensiva ainda estava em expansão, encontrar médicos e profissionais de enfermagem com formação específica era uma dificuldade. A equipe pioneira precisou enfrentar a escassez de especialistas e uma rotina intensa de plantões para assegurar o atendimento ininterrupto aos recém-nascidos. Ao longo das décadas, o serviço se fortaleceu, ampliou sua estrutura e acompanhou transformações que mudaram significativamente as perspectivas de recuperação de bebês de alto risco. Atualmente, a UTI Neonatal integra um complexo assistencial com 10 leitos de terapia intensiva e oito de cuidados intermediários. Referência para 26 municípios da região de Piracicaba, da DRS-10, a unidade registra, em média, 24 internações mensais. Entre 70% e 80% dos pacientes são prematuros ou recém-nascidos de baixo peso. Os demais são bebês nascidos a termo, mas que apresentam condições clínicas que exigem assistência especializada. Avanços que transformaram o cuidado A evolução da medicina neonatal é um dos capítulos mais importantes dessa trajetória. Se há três décadas as possibilidades de tratamento eram mais limitadas, atualmente a combinação de conhecimento científico, tecnologia e protocolos assistenciais permite oferecer cuidados cada vez mais especializados, inclusive a recém-nascidos extremamente prematuros. Ao longo de sua história, a equipe já acompanhou a recuperação de bebês que nasceram pesando entre 500 e 700 gramas e conseguiram receber alta hospitalar após longos períodos de internação. O caso de maior permanência registrado na unidade chegou a oito meses, demonstrando a complexidade de tratamentos que exigem acompanhamento contínuo e dedicação prolongada dos profissionais. Entre os avanços incorporados estão incubadoras digitais que controlam temperatura e umidade e oferecem maior isolamento acústico, contribuindo para a proteção e o desenvolvimento dos recém-nascidos. Bombas de infusão inteligentes permitem administrar medicamentos e nutrientes com precisão, enquanto sistemas de monitoramento não invasivo acompanham continuamente os sinais vitais e ajudam a reduzir a necessidade de procedimentos dolorosos. Outros recursos também ampliaram as possibilidades de assistência, como o cateter central de inserção periférica (PICC), que permite manter o acesso venoso por períodos prolongados, e os modernos equipamentos de fototerapia LED, utilizados no tratamento da icterícia neonatal. A unidade também incorporou procedimentos especializados, como a hipotermia terapêutica, a ventilação com óxido nítrico inalatório e técnicas menos invasivas de administração de surfactante, substância essencial para o funcionamento dos pulmões de determinados recém-nascidos. A evolução dos protocolos clínicos e o trabalho de estimulação fonoaudiológica complementam essa assistência, buscando reduzir complicações, favorecer o desenvolvimento dos bebês e minimizar os riscos de sequelas. Mais do que ampliar as possibilidades de sobrevivência, os avanços representam a busca constante por tratamentos mais seguros e menos invasivos. Humanização e cuidado que envolvem toda a família Paralelamente à evolução tecnológica, a UTI Neonatal também transformou sua maneira de acolher os recém-nascidos e suas famílias. Se no passado a presença dos pais era limitada por horários rígidos de visita, atualmente a unidade adota o acesso livre 24 horas por dia, reconhecendo a importância do vínculo familiar durante a recuperação. A participação dos pais é incentivada desde os cuidados diários, incluindo momentos como o banho, o contato pele a pele e o Método Canguru. O aleitamento materno também recebe atenção especial, com o apoio do Banco de Leite Humano da Santa Casa, que atua de forma integrada à assistência neonatal. O acolhimento se estende aos demais familiares, com iniciativas como visitas dos irmãos, celebração de datas especiais, registros fotográficos e lembranças que ajudam a preservar momentos importantes da trajetória dos bebês. A equipe de Psicologia e o Serviço Social também oferecem suporte emocional, escuta e orientação às famílias, que muitas vezes enfrentam semanas ou meses de incertezas até a alta hospitalar. Esse cuidado humanizado busca tornar os pais participantes ativos da recuperação dos filhos, oferecendo orientação e segurança para que possam assumir gradualmente os cuidados com os bebês, inclusive após o retorno para casa. Profissionais que constroem essa história A trajetória da UTI Neonatal também é resultado do trabalho de uma equipe que cresceu e se especializou ao longo dos anos. Atualmente, a estrutura assistencial reúne 19 médicos, três residentes de Neonatologia, uma enfermeira supervisora, duas enfermeiras plenas, 16 enfermeiros assistenciais e 30 técnicos de enfermagem, além de profissionais de fisioterapia, psicologia, serviço social e fonoaudiologia. Além de prestar assistência aos recém-nascidos, a unidade contribui para a formação de novos especialistas, atuando como campo de aprendizado para médicos residentes, por meio do Hospital de Ensino. A evolução do serviço acompanha ainda o compromisso institucional com a qualidade e a segurança do paciente, áreas nas quais a Santa Casa conquistou reconhecimentos ao longo de sua trajetória. Entre os profissionais que testemunharam parte significativa dessa transformação está a enfermeira Larissa P. Lucca Cardoso, que atua na unidade desde 2002. Sua trajetória representa a experiência acumulada por profissionais que acompanharam mudanças nos equipamentos, nos protocolos e, principalmente, na maneira de cuidar dos recém-nascidos e de suas famílias. Um compromisso que continua Ao completar 30 anos, a UTI Neonatal da Santa Casa de Limeira também