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MP e BAEP frustram plano de facção criminosa para assassinar promotor em Campinas

Operação “Pronta Resposta” prendeu empresários e identificou envolvimento de membro da cúpula da facção; alvo seria o promotor Amauri Silveira Filho, do GAECO

Na manhã desta sexta-feira (29), uma força-tarefa formada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Campinas deflagrou a Operação Pronta Resposta para desarticular um plano criminoso que tinha como objetivo assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o atentado estaria sendo articulado por empresários com ligação direta à cúpula de uma facção criminosa paulista.

A ameaça surgiu no contexto da Operação Linha Vermelha, investigação em andamento conduzida pelo GAECO que mira uma complexa rede de crimes ligados à organização criminosa, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e atuação armada.

De acordo com as autoridades, o plano envolvia a aquisição de armamentos, veículos e a contratação de operadores para emboscar o promotor. Amauri Silveira Filho integra a equipe responsável pela investigação e vinha sendo alvo direto das ações do grupo.

Prisões e buscas

Durante a operação, foram cumpridos três mandados de prisão temporária e quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Caio Ventosa Chaves, da 4ª Vara Criminal de Campinas. Dois empresários identificados como Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos, que atuam no setor de comércio de veículos e transportes, foram presos em bairros nobres da cidade: Alphaville e Cambuí.

A dupla é acusada de financiar e viabilizar a logística da tentativa de homicídio, com recursos que teriam origem em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado.

Ligação com a cúpula da facção

O principal articulador do plano seria Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como Serginho Mijão, apontado como integrante da “sintonia final” — a instância mais alta de comando da facção. Segundo o MP-SP, Mijão está foragido há anos, possivelmente escondido na Bolívia, e mesmo de fora do país, continua coordenando operações criminosas de tráfico e lavagem de dinheiro em território nacional.

Ele é alvo de dois mandados de prisão por tráfico e associação criminosa, expedidos entre 2020 e 2023 pela Vara Criminal de Limeira, nos âmbitos federal e estadual. Investigadores acreditam que Mijão teria ordenado a execução do promotor como forma de retaliar o avanço das investigações conduzidas pelo GAECO.

Investigação em curso

A Operação Pronta Resposta não apenas frustrou o plano de execução, como também revelou uma aliança entre empresários e o crime organizado para tentar intimidar e silenciar o trabalho do Ministério Público.

De acordo com o MP-SP, as investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos na trama e ampliar o cerco contra os braços financeiros e logísticos da facção.

Ainda nesta manhã, o Ministério Público emitiu uma nota pública em apoio ao promotor que seria alvo do plano. Confira abaixo:

“Esta Procuradoria-Geral de Justiça vem a público para expressar o seu irrestrito apoio ao promotor Amauri Silveira Filho, alvo de um plano industriado por integrantes de facção criminosa com o objetivo de assassiná-lo. Por óbvio, esse suporte se estende a todo agente público que tem como missão colocar cobro naqueles que insistem em fazer da prática de delitos o seu meio de vida. Com apoio da Polícia Militar, o tentame foi contido por meio da Operação Pronta Resposta. Pronta resposta, a propósito, que será dada por nossa instituição a qualquer um que desafiar o Estado Democrático de Direito, cuja marca é o império da lei. A população paulista pode ficar tranquila. O eminente membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) seguirá firme na sua missão, defendendo de forma inflexível a ordem jurídica. Destemor é a marca dos promotores e procuradores do Ministério Público de São Paulo, que não recuarão sequer um centímetro no seu desiderato de cumprir as atribuições que lhe foram conferidas pela Constituição Federal!”

 

Foto: Divulgação/Ministério Público

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