Uma menina de 12 anos morreu após passar por um parto de emergência no Centro Materno Infantil de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).
Grávida de 32 semanas, ela chegou a ser internada com sintomas graves e teve o bebê retirado por cesariana, mas não resistiu a uma hemorragia cerebral. O recém-nascido sobreviveu e segue hospitalizado.
A menina morava com a família em uma ocupação indígena no município. A gravidez foi descoberta tardiamente, quando ela começou a apresentar sintomas como enjoo e perda de apetite.
Segundo parentes, a menina não contou à família sobre a gestação por não entender o que estava acontecendo. O genitor do recém-nascido, de 22 anos, vivia na mesma comunidade. O caso configura estupro de vulnerável, e a polícia deve investigá-lo.
“Essa morte foi pela gravidez dela”, disse Andy Tovar, tio da adolescente. Andy ainda confirmou que já sabem quem é o responsável pela gravidez da menina: “Foi um homem adulto, já sabemos quem é”.
Segundo cacique da comunidade, que também foi entrevistado, “esse caso não pode ficar impune”.
Parto de emergência
Segundo a Prefeitura de Betim, devido à gravidade do quadro clínico da menina, foi necessário realizar um parto de emergência. O bebê sobreviveu, mas permanece internado, recebendo os cuidados necessários.
Ainda segundo o comunicado, o óbito da mãe ocorreu em decorrência de complicações gestacionais. O tempo de gestação dela era de 32 semanas, ou seja, oito meses.
Ainda segundo a Prefeitura, “todos os protocolos indicados para o caso foram rigorosamente seguidos, tendo a família recebido acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional da unidade, incluindo suporte psicológico”.
Complicações
Segundo a família, a gravidez evoluía normalmente até que, na última sexta-feira, 11 de junho, a menina sentiu forte dores de cabeça. A família a levou ao posto de saúde próximo.
Segundo o tio, não aferiram a pressão arterial da menina: deram-lhe medicamentos para dor e a mandaram de volta para casa.
As dores persistiram cada vez mais intensas e, mais tarde, a menina ficou inconsciente. Na manhã seguinte, a família a levou ao hospital de Betim. Segundo o tio, ela já não conversava direito.
No hospital, os médicos informaram que a situação era muito grave e optaram por uma cesariana. O bebê, um menino, nasceu e não corre risco de morrer.
A menina foi levada de novo ao bloco cirúrgico para tratar de uma hemorragia cerebral, causada por um AVC, mas não resistiu à cirurgia.
Descoberta da gravidez
A gravidez foi descoberta pela mãe da criança em junho. Ao perceber a barriga crescendo, fez um teste de farmácia.
A família descobriu que a menina teve relações com um vizinho da comunidade, que tem 22 anos.
Manter relações sexuais com menores de 14 anos (mesmo com consentimento da criança) é estupro, de acordo com o Código Penal Brasileiro.
Investigações
A Polícia Civil informou que instaurou um inquérito para apurar a gestação da criança, que deu entrada em um hospital da cidade de Betim e morreu durante o parto.
De acordo com a Polícia, “a investigação visa a esclarecer os fatos e, entre outras diligências, apurar o crime de estupro de vulnerável.”
A instituição confirmou que as investigações estão em andamento pela Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Betim.
Fonte: R7
Foto: Reprodução/RECORD