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Brasil e China firmam acordo para estudar corredor ferroviário ligando o país ao Oceano Pacífico

O plano também contempla a integração com outros modais, como rodovias e hidrovias, buscando uma malha multimodal eficiente e sustentável

 O Brasil e a China deram um passo estratégico para ampliar sua integração logística e comercial. Nesta segunda-feira (07), os dois países assinaram um memorando de entendimento para estudar a viabilidade de um novo corredor ferroviário bioceânico, que ligaria o território brasileiro ao Oceano Pacífico por meio do Porto de Chancay, no Peru.

 O acordo foi firmado entre o Ministério dos Transportes, por meio da empresa pública Infra S.A., e a China Railway Economic and Planning Research Institute Co., Ltd., braço de planejamento da China State Railway Group — gigante estatal do setor ferroviário chinês. A proposta tem como objetivo consolidar uma nova rota de exportação, com foco na competitividade logística do Brasil, especialmente no escoamento de grãos e minérios do Centro-Oeste em direção ao mercado asiático.

Corredor estratégico com base na Fico e Fiol

 O eixo ferroviário Fico-Fiol — formado pela Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) — será a base estruturante do corredor bioceânico em análise. O leilão do ativo, que deve viabilizar parte significativa do projeto, está previsto para o primeiro semestre de 2026.

 Desde abril, equipes técnicas brasileiras e chinesas vêm promovendo estudos sobre a logística nacional, avaliando possibilidades de conexão com os portos do Arco Norte e do Sudeste. O plano também contempla a integração com outros modais, como rodovias e hidrovias, buscando uma malha multimodal eficiente e sustentável.

Interesse estratégico da China e aposta em parcerias

 A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que tem liderado articulações sobre o tema, destacou o interesse explícito do governo chinês. Segundo ela, o presidente da China, Xi Jinping, manifestou diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o desejo de expandir a malha ferroviária brasileira com investimentos internacionais.

 “Eles querem rasgar o Brasil com ferrovias”, afirmou Tebet em declarações anteriores. A ministra também reforça que o custo elevado para a implantação de grandes corredores logísticos exige parcerias com a iniciativa privada e acordos de cooperação com outros países.

Rotas de Integração Sul-Americana

 O projeto do corredor ferroviário está inserido em uma estratégia mais ampla do governo federal para consolidar a malha logística integrada da América do Sul. Por meio do Ministério do Planejamento, o Brasil mapeia as Rotas de Integração Sul-Americana — cinco corredores estratégicos que conectam o território nacional a portos no Oceano Pacífico, favorecendo a exportação para a Ásia, com destaque para a China.

 Além de benefícios econômicos, a proposta pretende trazer avanços ambientais, ao incentivar o uso de modais menos poluentes, como a ferrovia. O novo corredor bioceânico pode reposicionar o Brasil no cenário do comércio global e abrir caminho para uma integração mais eficiente com os principais polos produtivos do continente e do mundo. (Renan Isaltino)

Fonte: Reuters

Foto: R7

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