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Brasil aciona plano de contingência para possível aumento de migrantes após ataque dos EUA à Venezuela

Governo monitora crise e prepara resposta humanitária na fronteira norte diante do risco de novo fluxo migratório

 O governo brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos do ataque anunciado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrido neste sábado (03), e já colocou em prontidão um plano de contingência voltado à gestão de um eventual aumento do fluxo migratório na fronteira norte do país.

 Fontes ligadas ao governo informaram que, nas últimas semanas, a Casa Civil realizou uma série de reuniões e estruturou um plano de resposta, concluído há cerca de duas semanas, diante da possibilidade de uma escalada do conflito envolvendo a Venezuela. O planejamento prevê ações integradas entre ministérios e órgãos federais para lidar com um possível ingresso de refugiados e migrantes em território brasileiro.

 Na manhã deste sábado, uma reunião marcada para as 10h, no Itamaraty, deve detalhar os aspectos operacionais do plano, incluindo o funcionamento do Programa de Acolhida, criado para recepcionar migrantes em situação de vulnerabilidade. O encontro reúne representantes da diplomacia brasileira, do Ministério da Justiça e de órgãos responsáveis por políticas migratórias e humanitárias.

 Diante da gravidade do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia interromper o período de férias para participar de reuniões de crise com seus ministros.

 O alerta do governo brasileiro ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que seu país realizou um “ataque em larga escala” contra a Venezuela. Em comunicado divulgado nas redes sociais, Trump declarou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro teria sido capturado e retirado do país. Explosões também foram registradas em Caracas, capital venezuelana.

 Segundo Trump, a operação foi conduzida com a participação direta de forças de segurança norte-americanas, e novas informações seriam apresentadas em uma coletiva de imprensa marcada para as 11h, em Mar-a-Lago, na Flórida.

 Dados do Boletim da Migração no Brasil, divulgado pela Secretaria Nacional de Justiça, indicam que o país mantém uma estrutura ativa de gestão migratória. Atualmente, o Brasil possui 1.888.357 registros migratórios ativos. Somente em 2025, foram contabilizados 271.484 novos registros, sendo 29.373 apenas no mês de outubro.

 O levantamento também aponta avanços em políticas de acolhimento e integração. O programa de Patrocínio Comunitário ofertou 1.500 vagas, com 303 cidadãos afegãos já acolhidos. No campo da cidadania, 10.459 pessoas se naturalizaram brasileiras em 2025, sendo 1.081 no mês de outubro.

 O boletim destaca ainda autorizações de investimentos vinculadas à política migratória, com R$ 296,6 milhões em investimentos imobiliários e R$ 212,4 milhões em aportes de pessoas físicas em empresas, evidenciando o impacto econômico da migração regular.

 Integrantes do governo afirmam que o Brasil pretende manter uma postura de acolhimento humanitário, aliada a mecanismos de controle, organização e segurança, caso o conflito na Venezuela resulte em um novo deslocamento em massa de pessoas em direção ao país. O cenário segue sob monitoramento permanente pelas autoridades federais. (Renan Isaltino)

Foto e Fonte: R7

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