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Alvo de críticas, coleta de lixo em Piracicaba vira tema de requerimento e falas de vereadores

Durante a 32ª Reunião Ordinária, nesta segunda-feira (8), parlamentares apontaram falhas na atuação da Piracicaba Ambiental na cidade

Vereadores criticaram a execução do serviço de coleta de resíduos pela Piracicaba Ambiental. Irregularidades na frequência com que os caminhões passam pelos bairros, reclamações sobre o recolhimento de recicláveis e inservíveis e as obrigações que constam no contrato firmado com a Prefeitura foram objetos de falas dos parlamentares durante a 32ª Reunião Ordinária, realizada pela Câmara na noite desta segunda-feira (8).

Também relacionado ao tema, o requerimento 601/2026 foi uma das 25 matérias aprovadas na sessão. A propositura, de autoria de André Bandeira (PSDB), solicita uma série de informações ao Executivo sobre a coleta de resíduos e os parâmetros utilizados para o cálculo da Taxa de Serviços Públicos, conhecido como “taxa do lixo”, cobrada junto com o IPTU. “Várias pessoas estão reclamando dos valores altos que estão pagando da taxa do lixo e, principalmente, da má prestação do serviço da coleta, com alguns locais ficando sem por alguns dias”, reportou o parlamentar.

Em manifestações ao microfone, outros vereadores apresentaram o resultado de fiscalizações que fizeram dos serviços previstos no contrato de limpeza urbana e manifestaram insatisfação com o trabalho da Piracicaba Ambiental. Felipe Gema (Solidariedade) cobrou zelo quando os sacos com lixo são colocados nos caminhões que percorrem as ruas. “A forma da coleta de lixo em Piracicaba está um absurdo, tem até acidente de moto acontecendo por falta de responsabilidade em se jogar o lixo dentro do caminhão que passa na rua.”

“A parceria público-privada do lixo foi aprovada e hoje temos um ‘casamento arranjado, herdado’. Existe um inquérito que há anos vem se arrastando em Piracicaba e a prestação do serviço só piora. Eu estive na Ambiental, fui barrado, depois permitiram a entrada. A gente vai lá, fiscaliza, acompanha, mas o principal de tudo é o contrato, que, até onde a gente sabe, já existem muitos indícios para quebrá-lo. São 30 anos de contrato, que não presta o serviço a contento, e, se a Justiça, a Câmara ou o Executivo não freá-lo, ele vai continuar dessa forma”, comentou Gustavo Pompeo (Avante).

O serviço Cata Cacareco, que faz o recolhimento de itens inservíveis, como móveis e aparelhos eletrônicos, foi alvo de diversas críticas dos vereadores. Fabrício Polezi (PL) apontou falhas na operação realizada recentemente nos bairros Cecap e Eldorado, com apenas eletrodomésticos sendo retirados das calçadas, ignorando-se colchões, camas e outros objetos descartados pelos moradores. Para o parlamentar, o gerente da Piracicaba Ambiental deveria “pedir para sair”. “Vá embora. Só não enxerga quem não quer, a Ambiental já passou da hora.”

“O quórum dos vereadores mostra o quanto a Ambiental é uma empresa ruim e um câncer na nossa cidade. Ruim mesmo, porque presta um serviço porcaria: você liga lá para combinar de o Cata Cacareco pegar as coisas que você tem na sua casa, só que você não pode deixar aquilo na rua; tem que deixar dentro da sua casa e tirar só na hora que combinou de eles irem lá passar. Mas aí eles não passam e suas coisas ficam na rua. Aí você vai, tem que guardar de novo. E tem que combinar de novo, pôr na rua de novo, e eles não passam. E se você deixar na rua três, quatro dias, vai a fiscalização e te multa. É isso que está acontecendo”, reportou Renan Paes (PL).

Gesiel de Madureira (MDB) relatou um caso envolvendo o Cata Cacareco que ele acompanhou em um bairro. “A gente está numa batalha faz uns três meses: a empresa foi lá, o lixo está um pouquinho para baixo [do imóvel], desceram do caminhão, perguntaram onde estava o lixo, porque o lixo não estava na frente da casa [que solicitou a retirada]. O pessoal saiu, mostrou onde estava o lixo e voltou para dentro de casa achando que a empresa ia retirar o lixo, mas eles [Ambiental] montaram no caminhão e foram embora. Quero saber qual a explicação para um serviço tão mal feito. Será que é mal pago? Não, porque é um contrato de mais de R$ 11 milhões de repasse todos os meses pela Prefeitura”, criticou o vereador.

Valdir Marques (PSD), o Paraná, também falou do Cata Cacareco. “Eles pedem para colocar na rua; passam-se 15 dias e não vão. Aí a população liga para a gente e você liga lá para retirarem e eles perguntam se tem protocolo. E dizer também quando eles vão coletar: vai um caminhão de cinco metros de altura, um caminhão caçamba, e aqueles pobres coitados que estão coletando, você vê a ‘guerra’ que é para jogarem um sofá lá em cima, já vi isso várias vezes. Está precária a situação do Cata Cacareco.”

“Já tem pelo menos uns cinco anos que venho reclamando da Ambiental, principalmente do serviço da coleta de recicláveis. Essa empresa é uma comédia: uma comédia no atendimento e aos seus colaboradores, a quem não entrega EPI. Tem caminhão quebrado, não coleta direito, o material reciclável hoje é compactado dentro de um caminhão igual ao do lixo orgânico. Então, está tudo errado. E até quando isso vai acontecer? Até quando vamos aceitar isso? São mais de cinco anos reclamando”, declarou Pedro Kawai (PSDB).

Zezinho Pereira (União Brasil) sugeriu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o cumprimento do contrato de parceria público-privada da Ambiental Piracicaba com a Prefeitura. “Eu sempre contestei o trabalho deles. A gente poderia estar pensando em construir futuramente uma CPI para investigar isso.”

Além do requerimento 601/2026, os vereadores aprovaram durante a 32ª Reunião Ordinária outros sete requerimentos, oito moções, um projeto de decreto legislativo e oito projetos de lei, entre os quais o de número 78/2026, que, apresentado por Pedro Kawai e votado em primeira discussão, propõe que sejam colocados QR Codes em todas as placas de obras públicas municipais para possibilitar acesso a mais dados e facilitar a fiscalização.

Já em segunda discussão, foram aprovados os projetos de lei 29/2026, de Marco Bicheiro (PSDB), que dispõe sobre a exigência de atestado de antecedentes criminais para a admissão em instituições sociais, públicas ou privadas, que desenvolvam atividades com crianças e adolescentes; 34/2026, de Felipe Gema, que torna obrigatória a instalação de câmeras de monitoramento nos ônibus do transporte coletivo público urbano e rural; 62/2026, de André Bandeira, para a disponibilização de cadeiras de rodas nas escolas públicas e particulares de Piracicaba; e 76/2026, de Silvia Morales (PV), que institui o “Abril Grená” no calendário oficial de eventos do município.

O projeto de lei 122/2026, em que o Executivo solicita a autorização da Câmara para contratar em condições mais favoráveis uma nova operação de crédito junto à Caixa Econômica Federal, no âmbito do Programa Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), recebeu emenda e, portanto, saiu da pauta.

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