Diretor com mais de 25 anos de trajetória no mercado fala sobre liderança, formação de equipes e a importância de equilibrar vida profissional e pessoal
Construir uma carreira não precisa significar chegar rapidamente ao ponto mais alto. Para Thiago Cardoso, executivo com mais de 25 anos de experiência nas áreas de compras, vendas e distribuição, a trajetória profissional tem mais relação com o cultivo de relações, aprendizado e desenvolvimento de pessoas do que com a busca permanente por posições de destaque.
Atualmente diretor de negócios da Flora Cosméticos e Limpeza, empresa do Grupo J&F, Thiago começou a vida profissional em uma função distante dos cargos de liderança que ocuparia anos depois. O primeiro trabalho foi como atendente de reservas em um hotel. Posteriormente, passou para a área de compras de um shopping do mesmo grupo empresarial e, mais tarde, chegou ao setor de compras de uma grande distribuidora.
Foi nesse período que, segundo ele, começou a se identificar com o segmento em que construiria sua carreira.
A experiência acumulada ao longo dos anos levou Thiago a ocupar posições de liderança em empresas do setor. Entre elas, esteve a Arcom, onde atuou como diretor comercial, comandando uma estrutura com mais de 2 mil vendedores, e o Martins, onde exerceu a função de diretor de compras.
Em 2020, iniciou uma nova etapa profissional na Flora. Naquele momento, a operação de atendimento direto ao varejo contava com 37 vendedores, atendia cerca de 1.300 clientes por mês e estava concentrada no estado de São Paulo. Atualmente, a estrutura reúne mais de 300 profissionais de vendas e alcança aproximadamente 20 mil clientes mensais em oito estados.
Para Thiago, porém, números são apenas uma parte da história. O crescimento de uma operação, na avaliação dele, depende também da capacidade de preparar pessoas para acompanhar as mudanças.
“Não basta ter estratégia e capital para expandir; precisamos formar pessoas capazes de sustentar essa expansão”, afirma.
Liderança baseada em confiança
Ao longo de mais de duas décadas ocupando cargos de comando, Thiago diz ter mudado a maneira de enxergar a liderança. Se no início da carreira a tendência era concentrar decisões e tentar resolver pessoalmente os problemas, a experiência o levou a valorizar cada vez mais a autonomia das equipes.
“Prefiro confiar na pessoa certa a precisar controlar a pessoa errada”, resume.
Na visão do executivo, liderar também significa reconhecer que profissionais estão em diferentes momentos de desenvolvimento. Algumas situações exigem acompanhamento próximo e orientação. Em outras, o papel do líder é permitir que a pessoa tenha espaço para tomar decisões e assumir responsabilidades.
“Uma das melhores medidas da qualidade de um líder é o quanto as pessoas crescem ao seu redor”, afirma.
Para ele, uma equipe que depende permanentemente de uma única pessoa pode indicar capacidade individual, mas não necessariamente demonstra a construção de uma estrutura sólida de trabalho.
Uma carreira que também precisa caber na vida
A mudança na forma de enxergar o trabalho também alterou a própria definição de sucesso para Thiago.
Em vez da imagem de uma montanha, na qual o objetivo seria chegar ao topo, ele passou a enxergar a carreira como um jardim. A metáfora representa uma construção que acontece ao longo dos anos, com resultados que nem sempre aparecem imediatamente.
“As pessoas que desenvolvemos, as relações que construímos, a família que formamos e os valores que preservamos” estão, segundo ele, entre as sementes plantadas durante essa caminhada.
Essa visão também coloca a vida pessoal no centro da discussão. Thiago é casado com Michele e pai de Lucas e João Pedro. Para ele, as relações familiares são parte fundamental da identidade de uma pessoa e não devem ser colocadas em segundo plano pela busca profissional.
“Nenhum sucesso profissional vale o preço de perder as pessoas que mais amo”, afirma.
Experiência compartilhada com quem está começando
A partir dessa experiência, Thiago também passou a conversar com estudantes universitários sobre carreira e mercado de trabalho.
A mensagem que procura transmitir aos jovens não está relacionada a fórmulas rápidas para alcançar cargos ou reconhecimento. Ele defende que o desenvolvimento profissional é consequência de aprendizado, responsabilidade e capacidade de construir relações ao longo do tempo.
“Precisamos assumir a responsabilidade pela nossa caminhada, trabalhar muito para construir aquilo em que acreditamos, mas nunca permitir que a conquista do sucesso nos faça perder justamente aquilo que dá sentido a ele”, diz.
Para quem está no início da vida profissional, o conselho segue a mesma lógica.
“No começo da carreira, preocupe-se menos em ganhar espaço e mais em se tornar alguém para quem as pessoas naturalmente queiram dar mais espaço. As oportunidades acabam sendo consequência.”
A trajetória de Thiago, iniciada em uma função operacional e construída ao longo de diferentes áreas e posições de liderança, ajuda a ilustrar justamente essa ideia: carreiras não são formadas apenas pelos cargos ocupados, mas também pelas pessoas, escolhas e relações que permanecem pelo caminho.
Foto: divulgação













