Com a idade média dos carros passando de 11 anos, cresce a demanda por soluções que preservam pintura, estética e valor de revenda, movimentando um setor global que já vale bilhões de dólares
O Brasil fechou 2025 com uma frota de 48,8 milhões de autoveículos em circulação e uma idade média de 11 anos e 5 meses, segundo levantamento do Sindipeças. É esse dado que ajuda a explicar o momento vivido por um segmento ainda pouco conhecido do grande público, mas que já movimenta bilhões de dólares no mundo: o mercado de películas automotivas e PPF (Paint Protection Film), voltado à proteção da pintura, ao controle solar e à valorização estética e patrimonial dos veículos.
Uma frota grande e envelhecida cria uma equação simples do ponto de vista comercial: quanto mais tempo o consumidor pretende manter o carro, maior a preocupação em conservá-lo. E esse público se soma a outro, mais recente, o de quem acabou de comprar um veículo, muitas vezes de ticket mais alto, e já quer protegê-lo desde o primeiro dia. É nesse cruzamento de interesses que o setor de proteção veicular tem encontrado espaço para crescer.
Em escala global, o tamanho desse mercado impressiona. Segundo a consultoria Grand View Research, o setor de películas automotivas, que reúne window film, PPF e wraps, foi avaliado em US$ 12,8 bilhões em 2025 e é projetado para atingir US$ 26,3 bilhões até 2033, crescendo a uma taxa anual de 9,5%. É um ritmo de expansão que coloca o segmento entre os mais dinâmicos do mercado automotivo de acessórios e personalização.
No Brasil, essa realidade aparece de forma mais concreta nos preços já praticados pelo mercado: uma aplicação parcial de PPF (o chamado Front Kit) costuma custar entre R$ 3.000 e R$ 8.000, enquanto uma aplicação completa, o Full Body, pode chegar a R$ 15.000 e passar de R$ 35.000 em veículos de padrão premium, uma faixa de preço que por si só já indica o tamanho do investimento que consumidores brasileiros vêm topando fazer para proteger seus carros.
Parte do crescimento do setor está ligada à evolução dos materiais. O PVC, usado por anos em películas de proteção, vem perdendo espaço para o TPU (poliuretano termoplástico), que não amarela com o tempo e conta com tecnologia de autorregeneração, o chamado self-healing. Segundo a Fortune Business Insights, o TPU já responde por 47,67% de todo o mercado mundial de proteção de pintura, um sinal de que a sofisticação técnica se tornou também um argumento de venda.
É nesse cenário, de frota grande e envelhecida, mercado global em expansão e evolução constante de materiais, que fabricantes internacionais têm buscado espaço no Brasil. Um exemplo é a Quad Film, marca que se apresenta com mais de 20 anos de experiência no segmento e desenvolve películas com tecnologia de Magnetron Sputtering, processo de deposição a vácuo usado na fabricação de filmes de alta performance.
A empresa oferece um portfólio que vai de linhas de entrada a séries premium de PPF, além de películas para vidros, teto solar e Color PPF, produto voltado à personalização visual do veículo. Um dos lançamentos que ilustra bem a direção que o setor vem tomando é o EV Sunroof PPF, apresentado pela QUAD como solução voltada a veículos eletrificados: segundo a empresa, o produto usa uma estrutura de 24 camadas de metais de terras raras, entre eles ouro e prata, para aumentar a reflexão térmica e contribuir para a eficiência energética do carro, uma resposta direta ao avanço dos elétricos e híbridos na frota mundial.
No Brasil, a QUAD Film opera por meio da QUAD Film Brasil Acessórios Automotivos Ltda., aberta em julho de 2025, com sede na Avenida Paulista, em São Paulo. A estratégia da empresa no país segue um padrão comum entre marcas que tentam se firmar nesse mercado: em vez de vender apenas bobinas de película, ela busca formar uma rede de distribuidores, lojas especializadas e instaladores, além de manter centros de treinamento autorizados para capacitar profissionais na aplicação do produto, já que, no PPF, a qualidade da instalação é tão determinante para o resultado final quanto a qualidade do material.
O cruzamento entre uma frota que segue envelhecendo e um mercado global em franca expansão ajuda a explicar por que o setor de proteção automotiva deve continuar aquecido nos próximos anos. Cada vez mais, o veículo deixa de ser tratado apenas como meio de transporte e passa a ser visto como um patrimônio a ser preservado, o que deve manter a disputa acirrada entre fabricantes, distribuidores e prestadores de serviço em todo o país.













