Alta no número de corridas de rua, academias e na busca por qualidade de vida reflete diretamente nas vendas de calçados esportivos e no crescimento da indústria do setor
O hábito de praticar atividades físicas tem ganhado cada vez mais espaço na rotina dos brasileiros. Seja nas corridas de rua, nas academias ou em caminhadas ao ar livre, o movimento em busca de mais saúde também vem impulsionando outro mercado: o de calçados esportivos.
Dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) mostram que o número de provas realizadas no país passou de 2.827, em 2024, para 5.241 em 2025, um crescimento de 85%. Depois de registrar altas de 45% em 2024 e 25% em 2025, a expectativa do setor é de expansão de mais 15% ao longo de 2026.
Nas academias, o cenário é semelhante. O Brasil fechou 2025 com 41.332 unidades em funcionamento e cerca de 13,65 milhões de alunos, o equivalente a 7% da população. Em dez anos, o número de estabelecimentos praticamente triplicou, e a projeção é ultrapassar 70 mil academias até 2027. Mesmo com esse avanço, ainda há espaço para crescer: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 47% dos brasileiros são considerados fisicamente inativos.
O reflexo desse comportamento também aparece nas lojas. Levantamento da Euromonitor aponta que as vendas de tênis movimentaram R$ 21,6 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior e crescimento acumulado de 84% desde 2020. Além dos modelos voltados ao esporte, cresce a procura por calçados que unem conforto e versatilidade para o dia a dia.
Esse cenário é percebido pela indústria calçadista. Em Minas Gerais, por exemplo, a GLK Calçados acompanha a mudança no perfil do consumidor. Fundada há cerca de 20 anos, a empresa saiu de uma produção artesanal de 24 pares por dia para uma fabricação de aproximadamente 30 mil pares por mês, empregando mais de 50 colaboradores.
Segundo a fundadora da empresa, Alessandra Lacerda, o consumidor passou a buscar um único tênis que possa ser usado em diferentes momentos da rotina, como no trabalho, na faculdade, na academia e em atividades de lazer. A preocupação com conforto e praticidade, afirma, deixou de ser exclusiva dos atletas e passou a fazer parte do cotidiano de pessoas de diferentes idades.
Essa mudança também influencia o desenvolvimento dos produtos. De acordo com a empresária, crianças, jovens, adultos e idosos apresentam necessidades distintas, o que exige projetos específicos para cada público, desde o design até características relacionadas ao conforto e à estabilidade.
Antes de chegarem às lojas, os novos modelos passam por uma etapa de testes internos. Os próprios colaboradores utilizam os calçados durante a rotina de trabalho e avaliam aspectos como conforto e resistência. As observações servem de base para ajustes antes do início da produção em larga escala.
A empresa também afirma investir em novos materiais para tornar os calçados mais leves e respiráveis, além de aprimorar processos produtivos e selecionar fornecedores que garantam maior padronização dos insumos.
Com a perspectiva de crescimento contínuo do mercado de atividade física e bem-estar, a expectativa do setor é que a demanda por calçados esportivos continue em alta nos próximos anos, acompanhando uma mudança de hábitos que vem se consolidando entre os brasileiros.













