Mercado reage à escalada do conflito no Oriente Médio, enquanto expectativa de cessar-fogo disputa espaço com novos ataques e risco ao abastecimento global.
Os preços internacionais do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira (20), impulsionados pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelas novas ameaças à navegação no Oriente Médio. Apesar da expectativa de retomada das negociações entre os dois países, o mercado segue atento aos riscos de interrupção no abastecimento mundial de petróleo.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, encerrou o dia cotado a US$ 89,22, com alta de cerca de 1,3%, após atingir a máxima de US$ 91,42, o maior valor desde 11 de junho. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, fechou a US$ 83,23, avanço de 0,9%, depois de alcançar US$ 85,39 durante o pregão.
A valorização ocorreu em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Os Estados Unidos realizaram a nona noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos, enquanto aliados americanos, como Kuwait e Barein, também relataram novos ataques atribuídos ao Irã.
Ao mesmo tempo, uma proposta de cessar-fogo de dez dias foi apresentada ao governo iraniano por mediadores internacionais. A iniciativa busca reduzir a escalada militar e abrir caminho para a retomada de um acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado.
Segundo Daniela Hathorn, analista sênior da Capital.com, a possibilidade de novas negociações ajudou a aliviar parte das preocupações do mercado sobre uma interrupção imediata no fornecimento de petróleo e na circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Apesar disso, o cenário permanece delicado. Os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ampliando o risco para o comércio internacional e para o abastecimento energético global.
De acordo com Jorge León, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, cerca de 2,5 milhões de barris de petróleo saudita por dia podem ser afetados caso as ameaças se concretizem. Ele alerta que, sem um cessar-fogo e com o Estreito de Ormuz permanecendo praticamente fechado, os preços do petróleo podem registrar uma nova disparada.
Por outro lado, analistas da consultoria Kpler avaliam que o volume recorde de petróleo atualmente em trânsito marítimo — estimado em cerca de 1,35 bilhão de barris — pode amenizar parte da pressão sobre os preços no curto prazo, reduzindo o impacto de eventuais interrupções no fornecimento. (Renan Isaltino)
Foto: ilustrativa
Fonte: Reuters













