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Coração em campo: cardiologista do Mário Gatti explica emoções durante partidas de futebol e elenca cuidados

Segundo especialista, sensações são desencadeadas por alguns hormônios e deve haver atenção a alguns sinais, como dor no peito intensa e prolongada

Sensações como coração acelerado e aperto no peito são recorrentes entre alguns torcedores durante partidas de futebol decisivas ou em grandes competições, como na Copa. Quando são passageiras, fazem parte da experiência. Mas há casos em que isso se torna um sinal de alerta.

O orientação é do médico Fábio Giovanetti Morano, cardiologista da Rede Mário Gatti e professor de medicina. Ele observa que essas partidas causam grande comoção e ansiedade.

“Isso desencadeia no organismo uma reação semelhante à de um evento estressante agudo, na qual ocorre a liberação de alguns hormônios (como a adrenalina, noradrenalina e cortisol). Esses hormônios, por sua vez, provocam aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, aumento da força de contração do coração e do consumo de oxigênio pelo miocárdio”, explica o especialista.

Segundo o médico, essas alterações podem fazer com que as pessoas sintam palpitações – sintoma relacionado ao aumento da frequência cardíaca -, sensação subjetiva de falta de ar e aperto do peito. Todas podem estar relacionadas à ansiedade.

“Tais reações são consideradas normais quando elas ocorrem somente neste momento de intensa emoção e melhoram pouco tempo após o lance decisivo ou o término da partida. Entretanto, uma atenção especial deve ser dada quando essas reações causam uma dor no peito de grande intensidade e prolongada, falta de ar, desmaio ou sintomas que persistem muito tempo após o término do jogo”, alerta.

Estudos comprovam cenário

O cardiologista destaca que estudos realizados em Munique, na Alemanha, durante a Copa de 2006, mostraram que a incidência de emergências cardiovasculares foi duas 2,66 vezes maior nos dias de jogo, sendo que a maioria desses pacientes já apresentavam histórico de doença coronária prévia.

Além disso, segundo o especialista, ao observar as análises das internações por síndromes coronarianas agudas no SUS Brasil durante as Copas de 1998, 2002, 2006 e 2010, é possível ver um aumento de 9% na incidência de infarto, sendo 16% nos dias de jogos do Brasil. No entanto, não há um impacto significativo na mortalidade hospitalar.

“Esses dados demonstram que existe um aumento da ocorrência de eventos cardiovasculares durante as partidas mais decisivas, especialmente as que envolvem a torcida local, principalmente entre indivíduos com histórico de cardiopatia”, avalia Fábio.

Recomendações

Segundo Fábio, deve-se manter uma atenção especial às pessoas com os seguintes históricos clínicos:

– doença arterial coronariana, seja um infarto prévio ou angina;

– insuficiência cardíaca;

– arritmias;

– hipertensão arterial não controlada.

“Isso não significa que essas pessoas não possam assistir aos jogos, até porque espera-se que elas estejam estáveis e adequadamente tratadas. No entanto, não custa lembrar de algumas recomendações para esses pacientes considerados cardiopatas durante o evento esportivo: não deixar de utilizar suas medicações habituais, evitar o consumo de álcool, cigarro e cafeína, evitar refeições muito copiosas e manter uma hidratação adequada”, recomenda o médico.

 

Foto: Divulgação/Rede Mário Gatti

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