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Projeto da LDO de 2027 de Piracicaba prevê receitas totais de R$ 3,67 bilhões

Orçamento de 2027 projeta alta na arrecadação na cidade, mas ainda prevê ajustes

A proposta do governo Helinho Zanatta (PSD) para a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027 traz parcialmente o impacto de alterações recentes ocorridas em impostos municipais e federais. A peça foi elaborada com base em projeções feitas em 2025 de índices econômicos, os quais serão devidamente atualizados quando da apresentação da LOA (Lei Orçamentária Anual), no segundo semestre.

projeto de lei 97/2026, com a proposta da LDO para o ano que vem, foi objeto de análise e discussões na noite desta terça-feira (19), em audiência pública realizada no plenário da Câmara de Piracicaba. A convocação partiu da Comissão de Finanças e Orçamento da Casa, colegiado composto pelos vereadores Josef Borges (PP), presidente, Rafael Boer (PRTB), relator, e André Bandeira (PSDB), membro.

“Essa audiência pública estabelece as metas e prioridades da administração pública para o próximo ano e é um elo prático entre o planejamento de longo prazo, que é o PPA [Plano Plurianual], e o orçamento detalhado, que vai servir para a elaboração da LOA, a Lei Orçamentária Anual, que vamos votar no último trimestre”, disse Josef Borges, na abertura dos trabalhos.

A LDO elaborada pelo Executivo projeta para 2027 receitas totais de R$ 3.670.312.000, num cenário traçado a partir de estimativa de 2% de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), inflação anual pelo IPCA de 4%, taxa básica de juros em 12,25% e dólar a R$ 5,10. Esses parâmetros, no entanto, são os mesmos que constaram do projeto do PPA 2026-2029, aprovado pela Câmara no ano passado e que levou em conta projeções de março de 2025 do Boletim Focus, do Banco Central.

Para se ter uma ideia, quando o projeto de lei 97/2026 foi finalizado, no mês passado, o IPCA para 2027 já estava sendo previsto em 3,91% e o crescimento do PIB em 1,80%, ambos abaixo dos parâmetros usados para a elaboração da proposta da LDO. Por isso, a definição exata dos valores contidos na peça e que dependem desses índices, como as projeções de arrecadação e gastos, só ficará clara na tramitação da LOA.

“A LDO de 2027 apresenta as estimativas contidas no PPA para o orçamento, com parâmetros de 7 de março de 2025 projetados para 2027. Neste projeto de lei, o Poder Executivo não propôs alterações devido às volatilidades apresentadas pelo Boletim Focus e às incertezas sobre a destinação de recursos pela reforma tributária. Todos os ajustes necessários serão propostos com a entrega da LOA de 2027, e será necessária a revisão do Plano Plurianual”, esclareceu a gestão Helinho Zanatta, durante a audiência pública.

São aguardadas altas na arrecadação do ICMS (4,81%), do ISSQN (14,14%), do Fundeb (7,53%), dos repasses à Saúde (2,91%), do IPTU (6,19%), do IPVA (4,48%), do Fundo de Participação dos Municípios (1,72%), da Tabela SUS Paulista (4,44%) e das entradas denominadas “taxas” (4,85%) e “remuneração financeira” (10,34%). Já o Imposto de Renda Retido na Fonte (-7,53%) e o ITBI (-0,30%), além de “outras receitas” (-25,63%), tendem a ter arrecadação em 2027 —segundo o que consta no projeto da LDO— menor que a prevista na LOA de 2026.

Em resposta à dúvida colocada pelo vereador Rafael Boer sobre se o projeto de lei 97/2026 já considera a atualização do Código Tributário do Município —aprovada pela Câmara em dezembro e que reflete nos valores de IPTU e ITBI—, a secretária municipal de Finanças, Karla Pelizzaro, afirmou que não, mas estimou que um possível aumento na arrecadação do IPTU será abrandado com os descontos dados a pessoas de baixa renda.

“Quando a gente fez o PPA, no ano passado, a gente não tinha ainda a lei 477/2025 aprovada, então ela [a proposta da LDO] está refletindo os lançamentos anteriores ainda. Mas fizemos um comparativo, lançando o IPTU pelo valor da lei [complementar] 224 [de 2008, que disciplinava o Código Tributário anterior] e pela 477 [do novo Código]: agora, em 2027, eles praticamente empataram; o que foi feito mesmo foi a justiça social do pessoal de baixa renda”, disse a secretária.

Já a arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte em 2027, com queda esperada de 7,53%, deve refletir a isenção do imposto para quem ganha até R$ 5 mil por mês e a redução gradual para rendas de até R$ 7.350, ambas em vigor desde este ano após aprovação de lei do governo federal. “Sobre a queda no IR, teve uma mudança de legislação, com a isenção do imposto, por isso a redução”, explicou Clayton Masquietto, economista da Secretaria Municipal de Finanças.

Ele também observou que as cifras quase zeradas em “operações de crédito” e “transferências de capital”, que aparecem no projeto de lei 97/2026 entre as receitas aguardadas pelo município em 2027, serão atualizadas no projeto da LOA. “É bom dizer que elas estão abaixo porque foi a projeção lá do momento do PPA. Mas depois, na hora que for trabalhar a LOA, serão implementadas tanto as linhas de crédito que já forem aprovadas quanto a captação que está sendo feita de recursos federais e estaduais, para ampliar a receita de capital no momento da LOA”, esclareceu.

RECEITAS E DESPESAS

Mesmo sem os números esperados para 2027 para operações de crédito e transferências de capital (que na LOA de 2026 figuram com R$ 29,2 milhões e R$ 113,2 milhões, respectivamente), as receitas totais previstas na LDO, de R$ 3.670.312.000, superam em 1,42% os R$ 3.422.652.000 previstos pela atual Lei Orçamentária Anual para a arrecadação do município em 2026.

Já as despesas projetadas para o ano que vem estão distribuídas em R$ 2,698 bilhões da Prefeitura, R$ 460,962 milhões do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), R$ 411,861 milhões do Ipasp (Instituto de Previdência e Assistência Social dos Funcionários Municipais de Piracicaba), R$ 74,5 milhões da Câmara e R$ 25,276 milhões da Fumep (Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba).

Na divisão das despesas da Prefeitura conforme o segmento, a lista é encabeçada pela Secretaria Municipal de Saúde, com R$ 930,402 milhões (o que representa 34,50% do total), seguida por Educação com R$ 735,634 milhões (27,27%); Obras com R$ 335,294 milhões (12,43%); Segurança Pública, Trânsito e Transportes com R$ 127,820 milhões (4,74%); Finanças com R$ 127,813 milhões (4,74%); Assistência Social com R$ 88,794 milhões (3,29%); Procuradoria-Geral do Município com R$ 78,810 milhões (2,92%); Guarda Civil Municipal com R$ 69,356 milhões (2,57%); Administração e Governo com R$ 65,538 milhões (2,43%); Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente com R$ 47,035 milhões (1,74%); Cultura com R$ 28,311 milhões (1,05%); Esportes, Lazer e Atividades Motoras com R$ 21,358 milhões (0,79%); Gabinete Institucional com R$ 13,206 milhões (0,49%); Habitação com R$ 9,726 milhões (0,36%); Turismo com R$ 6,325 milhões (0,23%); Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio com R$ 4,296 milhões (0,16%); Trabalho, Emprego e Renda com R$ 4,287 milhões (0,16%); Cidadania e Parcerias com R$ 1,934 milhão (0,07%); e Corregedoria com R$ 1,774 milhão (0,07%).

Quanto às principais receitas da Prefeitura, o projeto da LDO de 2027 prevê R$ 652,715 milhões vindos do ICMS (o que corresponde a 21,63% do total de R$ 3.017.782.000), R$ 447,237 milhões do ISSQN (14,82%), R$ 325,271 milhões do Fundeb (10,78%), R$ 319,630 milhões de recursos para a Saúde (10,59%), R$ 253,569 milhões do IPTU (8,40%), R$ 163,325 milhões do IPVA (5,41%), R$ 138,008 milhões do Fundo de Participação dos Municípios (4,57%), R$ 107,698 milhões do Imposto de Renda Retido na Fonte (3,57%), R$ 105,102 de taxas (3,48%), R$ 95,716 milhões do ITBI (3,17%), R$ 95,324 milhões da Tabela SUS Paulista (3,16%), R$ 78,663 milhões de remuneração financeira (2,61%) e R$ 235,524 milhões de outras receitas (7,80%).

O déficit do Ipasp em 2027 está previsto em R$ 280,5 milhões. “Corresponde às necessidades dos aportes financeiros realizados pela Prefeitura, pelo Semae e pela Câmara para a cobertura do déficit. A previsão desses aportes está contemplada no planejamento fiscal do município, para garantir a continuidade e a sustentabilidade do pagamento dos benefícios”, explicou o gerente financeiro da Secretaria Municipal de Finanças, Carlos Augusto Siloto.

Em resposta à pergunta do vereador André Bandeira (PSDB) sobre se a administração tem feito estudos sobre como recuperar valores para o município a partir da cobrança de inscritos na Dívida Ativa, o procurador-geral, Marcelo Maroun, relacionou as medidas que vêm sendo tomadas, a começar pelo fato de, agora, o próprio segmento de Dívida Ativa estar sob os cuidados da Procuradoria.

“Trabalhamos a situação da negativação e do protesto, em que estávamos muito lentos nesse sentido, uma vez que, com uma resolução da magistratura, se proibiu de executar ações abaixo de R$ 10 mil; não poderíamos cruzar os braços para isso, então começamos a trabalhar de forma administrativa. E também estamos trabalhando na cobrança dos maiores devedores, porque essa é a grande finalidade da Procuradoria e até uma cobrança por parte do prefeito, pois trará um equilíbrio maior em relação à Dívida Ativa”, afirmou Marcelo Maroun.

As vereadoras Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua, e Rai de Almeida (PT) também participaram da audiência pública.

O prazo para que os parlamentares apresentem emendas ao projeto de lei 97/2026 encerra-se no próximo dia 29. A proposta do Executivo e as modificações sugeridas pelos vereadores serão tema de nova audiência pública em 16 de junho, desta vez conduzida pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação da Câmara. A votação da matéria em plenário está marcada para reuniões extraordinárias que devem ser convocadas para 22 de junho, após a realização da sessão ordinária da noite.

 

Foto: Câmara de Piracicaba

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