A servidora acusada de desviar milhões de reais destinados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) a projetos de pesquisas da Universidade de Campinas (UNICAMP) foi condenada a 5 anos de prisão em regime inicial fechado. De acordo com a sentença, publicada em 4 de março após denúncia do promotor de Justiça Fernando Vianna, a mulher fica obrigada a ressarcir os R$ 4.265.443,97. Esse valor deverá ser atualizado pela Tabela Prática do Tribunal desde o início da ação penal até o efetivo pagamento.
No período de 2017 até o início de 2024, a servidora praticou crimes de peculato 27 vezes e de lavagem de capitais em ao menos 189 ocasiões. Na qualidade de funcionária da Secretaria de Apoio Institucional ao Pesquisador, a ré recebia cartões bancários com as respectivas senhas, bem como senha do sistema para realizar as prestações de contas. Valendo-se dessa facilidade e relação de confiança, ela criou uma empresa que emitia notas de serviços e aquisições jamais realizados, utilizando os dados e falsificando recibos em nome de terceiros.
Os recursos desviados eram direcionados a 26 pesquisadores. Segundo o apurado, estudos científicos foram bloqueados em virtude das práticas delituosas cometidas pela condenada. Uma das profissionais, por exemplo, realizava uma pesquisa sobre doença de chagas, mal típico de lugares desfavorecidos. Conforme os autos, esse estudo ficou bastante prejudicado em decorrência dos desvios. “A conduta ainda trouxe abalo emocional para diversos pesquisadores que ficaram com seus nomes maculados e foram processados pela FAPESP para devolução do dinheiro”, diz a sentença, subscrita pela magistrada Lissandra Ceccon.
Foto: Divulgação/MPSP











