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Vereadores de Campinas aprovam punição disciplinar da Corregedoria e arquivamento da investigação da CP contra Otto Alejandro

Os vereadores da Câmara Municipal de Campinas aprovaram, por 31 votos a 1, na segunda Reunião Ordinária, nesta quarta-feira (4), o Projeto de Resolução nº 1/2026, de autoria da Corregedoria da Casa, que aplica a penalidade de suspensão temporária do exercício do mandato ao vereador Otto Alejandro (PL). Os vereadores também aprovaram o parecer da Comissão Processante favorável ao arquivamento da denúncia contra o vereador.

Processo da Corregedoria

O Plenário aprovou o Projeto de Resolução nº 1/2026, de autoria da Corregedoria da Câmara, que aplica a penalidade de suspensão temporária do exercício do mandato por 45 dias ao parlamentar. A proposta é resultado do Procedimento Correcional nº 01/2025, instaurado a partir de representação apresentada por seis vereadores, na qualidade de eleitores.

O vereador defendeu na tribuna que não existe processo judicial contra ele, mas que respeita a decisão dos vereadores. “Não existe qualquer processo judicial contra minha pessoa. Sempre falei a verdade, sigo com a consciência tranquila de que não cometi atos ilícitos. Nada e ninguém apagará o brilho do meu trabalho. Mas entendo que essa Casa é soberana e respeitarei os votos deliberados pelos meus pares”, disse.

O advogado do vereador Danilo Campagnollo Bueno defendeu, antes da votação em Plenário, que a suspensão fosse revista. “Cada instituição adota as consequências que acha cabível, mas existe a necessidade de reconhecimento de que o Ministério Público apontou a inexistência dos fatos. O fato que teria gerado a maior repercussão foi retratado pela suposta vítima em três laudas escritas a próprio punho. Por isso, peço a revisão da suspensão, ou como segunda opção, a aplicação da punição mínima de 30 dias de suspensão do mandato”, defendeu.

O relatório final, do corregedor, o vereador Carlinhos Camelô (PSB), concluiu pela existência de infração ética de elevada gravidade, caracterizada por condutas públicas consideradas incompatíveis com os deveres previstos no Código de Ética Parlamentar, a Resolução nº 981/21). “O parecer aponta violação a dispositivos que tratam, entre outros aspectos, do decoro parlamentar, da urbanidade, da boa-fé, do respeito à dignidade da função pública e da preservação da imagem institucional do Legislativo” aponta o vereador no relatório.

O documento ressalta que o processo observou o devido processo administrativo, com garantia de contraditório e ampla defesa, incluindo análise de documentos, registros audiovisuais, processos judiciais correlatos e realização de audiência de instrução. A sanção proposta, segundo a Corregedoria, possui caráter ético-institucional, pedagógico e preventivo, voltado à proteção da credibilidade da Câmara perante à sociedade.

Arquivamento da Comissão Processante

Também foi aprovado, por 25 votos a cinco, o relatório da Comissão Processante (CP) favorável ao arquivamento da denúncia para investigar a acusação por quebra de decoro parlamentar por parte do vereador Otto Alejandro.

O pedido da instalação da CP foi protocolado Adriano Vieira Novo. A denúncia relata que o parlamentar foi denunciado por sua “namorada” pelos crimes de violência doméstica, ameaça, injúria e dano, de acordo com Boletim de Ocorrência registrado na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas. Ele ainda acusa o vereador de danificar o vidro traseiro de um ônibus em julho deste ano.

O parecer favorável ao arquivamento sustenta a ausência de suporte fático-jurídico para a cassação do mandato. O relatório destaca decisões judiciais que resultaram no indeferimento de medidas e no arquivamento de procedimentos criminais, além da extinção da punibilidade em razão da ausência de representação da suposta vítima em um dos casos.

Em sua defesa, Otto Alejandro negou a agressão e informou que ela retirou a queixa policial. O parlamentar também negou que tenha atirado algum objeto no ônibus e que a própria Justiça já arquivou esse processo

Pedidos de instauração de novas CP’s

Os vereadores também votaram pelo arquivamento de três pedidos para apurar eventual prática de infrações político-administrativas por parte dos vereadores Vini Oliveira (Cidadania), Otto Alejandro (PL) e Permínio Monteiro (PSB).

O primeiro documento, assinado por Maurilio Sakzenian de Souza, relata que Vini Oliveira publicou vídeos em redes sociais na qual mostra ele se dirigindo a funcionários públicos em local de descanso em uma unidade de saúde, utilizando “linguagem ofensiva, intimidadora e ameaçadora”. A representação ainda cita que Vini Oliveira teria abordado trabalhadores informais, conhecidos como “flanelinhas”, em via pública em “tom agressivo, exaltado e constrangedor”.

A segunda representação é assinada por Adriano Novo. Ele pede a criação de CP para apurar possível quebra de decoro parlamentar por parte de Otto Alejandro por discussão com agentes da Guarda Civil Municipal em um estabelecimento comercial, por ameaças e intimidação a um motorista de ônibus e por ameaça e constrangimento a uma trabalhadora na portaria de um prédio.

O terceiro pedido, também protocolado por Adriano Novo, solicita a instauração de CP por possível conduta incompatível com o exercício parlamentar por parte de Permínio Monteiro devido a decisões judiciais que envolvem suspeita de prática de “rachadinha”.

 

Foto: Câmara Municipal de Campinas

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