Normas rígidas ajudam cliente a fazer a melhor escolha para os pequenos no carro
Em colisões de baixa velocidade, o corpo de uma criança pode ser arremessado com força equivalente a dezenas de vezes o próprio peso. No Brasil, onde cerca de 6.000 pessoas morrem em acidentes de trânsito por ano, esse é um dos fatores mais recorrentes em ferimentos graves e mortes de passageiros infantis no trânsito: a ausência ou o uso incorreto da cadeirinha.
Dados de órgãos de segurança viária e estudos internacionais apontam que crianças transportadas soltas, no colo ou apenas com o cinto de segurança do veículo têm risco até cinco vezes maior de sofrer lesões fatais em comparação àquelas corretamente acomodadas em dispositivos de retenção infantil.
Ainda assim, o uso da cadeirinha segue sendo negligenciado em trajetos curtos, deslocamentos urbanos e corridas “rápidas”, justamente onde ocorre grande parte dos acidentes.
Por que o cinto do carro não protege uma criança
Veículos são projetados para adultos. O cinto de três pontos, quando usado por uma criança sem o equipamento adequado, passa pelo pescoço e pelo abdômen — áreas extremamente sensíveis. Em uma frenagem brusca ou colisão, isso pode causar lesões cervicais, rompimento de órgãos internos e traumatismos cranianos.
A cadeirinha existe para corrigir esse descompasso: ela redistribui as forças do impacto, mantém a criança na posição correta e reduz drasticamente o deslocamento do corpo dentro do veículo.
Acidentes laterais são um grande risco
Impactos laterais, que representam cerca de um quarto dos acidentes graves envolvendo crianças, são especialmente perigosos. Sem proteção adequada, o risco de contato direto com portas, vidros e estruturas do carro aumenta de forma significativa. Em muitos casos analisados por peritos, o acidente em si não seria fatal se a criança estivesse corretamente protegida.
O que diz a lei
No Brasil, o transporte de crianças sem o dispositivo correto é infração gravíssima. A legislação estabelece regras claras por faixa etária e estatura, conforme normas do Contran e do Código de Trânsito Brasileiro.
O descumprimento resulta em multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo até a regularização. Mas o impacto vai além da penalidade administrativa. Em acidentes com vítimas, a ausência da cadeirinha pode agravar a responsabilização civil e criminal do condutor, especialmente quando há comprovação de negligência.
Nem toda cadeirinha protege da mesma forma
Outro ponto crítico está na qualidade do equipamento. Embora a certificação do Inmetro seja obrigatória para venda no país, há diferenças entre modelos que apenas cumprem o mínimo legal e aqueles projetados para oferecer proteção superior.
Normas internacionais mais rigorosas, como a europeia i-Size, exigem testes adicionais — incluindo impacto lateral e critérios baseados na altura da criança. Esses fatores fazem diferença real no resultado de um acidente, especialmente em colisões mais complexas.
Economia que pode custar caro
Tratar a cadeirinha como um acessório secundário ou como um item apenas para “evitar multa” é um erro comum — e perigoso. Em um cenário de acidente, o nível de proteção do equipamento pode definir se a criança sai ilesa, ferida ou não sobrevive.
Especialistas em segurança veicular são unânimes: quando se fala em transporte infantil, o custo do produto não deve ser o principal critério de escolha. Testes, certificações e sistemas de fixação adequados têm impacto direto na capacidade de absorção de energia e na estabilidade do conjunto.
“ Assim como você não compraria um automóvel barato sem airbags, por que escolheria a cadeirinha mais em conta, mas sem uma certificação reconhecida internacionalmente?”, diz Regina Manasieva.
A recomendação da especialista é clara: lembre-se de comparar as certificações, exigir transparência sobre testes realizados e priorizar uma tecnologia certificada.
“Você tem apenas uma chance de proteger seu filho da forma correta. Não dá para voltar atrás depois de um acidente”, finaliza.
Como escolher a cadeirinha ideal para transportar crianças
Ao escolher uma cadeirinha, especialistas recomendam atenção a cinco aspectos fundamentais:
1. Certificações internacionais: produtos com selo i-Size passaram por testes mais rigorosos, incluindo impacto lateral e uso prolongado contra o sentido da marcha.
2. Sistema de fixação: cadeirinhas premium oferecem tripla ancoragem (Isofix + Top Tether + ancoragem frontal), proporcionando estabilidade superior em comparação com os sistemas de dois pontos.
3. Tecnologia de absorção de impacto: proteções laterais testadas em laboratórios europeus (como o sistema SPS – Side Protection System) oferecem segurança comprovada, não apenas teórica.
4. Conforto térmico e ergonomia: tecidos com tecnologia antiaquecimento e sistemas de ventilação fazem diferença real para o bem-estar da criança durante viagens longas.
5. Durabilidade baseada em altura: modelos que consideram a estatura da criança (até 150cm),e não apenas o peso, garantem uso seguro por mais tempo.
Fonte: R7











