O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta quinta-feira (24), que a explicação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes sobre as medidas cautelares impostas a ele “não é clara”.
“Não está claro o que posso, ou não posso falar no tocante a recortes, inclusive. Então, aguardo. Os meus advogados são muito bons, renomados e vão me dar um parecer amanhã. Tenho maior prazer de falar com vocês”, declarou Bolsonaro ao sair da sede do PL (Partido Liberal), em Brasília.
Nesta manhã, em resposta a defesa do ex-presidente, Moraes manteve as medidas cautelares impostas a Bolsonaro, mas sem decretar a prisão preventiva. Além disso, reafirmou que o réu nunca esteve proibido de conceder entrevistas à imprensa, como havia entendido seus advogados.
No entanto, para os advogados do ex-presidente, a explicação do ministro ainda não é clara e que, portanto, ainda estudam o caso para orientar Bolsonaro posteriormente.
“Eles (defesa) estão analisando, não posso errar. Gostaria muito de falar com vocês, mas o que vai acontecer depois a gente não sabe”, finalizou o ex-presidente.
Mais cedo, minutos após o ofício de Moraes, o ex-mandatário chorou durante um culto em Taguatinga, na região administrativa do Distrito Federal.
Desde a semana passada, Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa entre às 19h e às 6h, aos finais de semana, a restrição é de 24h.
O ex-presidente também não pode se comunicar com o filho deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e com réus do processo sobre a tentativa de golpe.
Moraes mantém cautelares, mas destaca que Bolsonaro descumpriu medidas
Nesta manhã, em resposta a defesa de Bolsonaro, Moraes manteve decisão que fixou restrições ao ex-presidente e o advertiu de que, caso haja novos descumprimentos das medidas, ele poderá ser preso preventivamente.
O ministro considerou que Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares, de forma isolada, ao mostrar a tornozeleira e criticar o equipamento a jornalistas na segunda-feira (21) na Câmara dos Deputados.
Após o episódio, o ministro pediu explicações aos advogados sobre as declarações. O que fez o ex-presidente evitar falar com a imprensa e com aliados nos últimos dias.
No entanto, hoje, o ministro afirmou que, em momento algum, Bolsonaro foi proibido de conceder entrevistas ou proferir discursos em eventos públicos, ou privados, respeitados os horários estabelecidos nas medidas restritivas. O que ele não pode é usar as redes sociais dele nem de terceiros.
“A explicitação da medida cautelar imposta deixou claro que não será admitida a utilização de subterfúgios para a manutenção da prática de atividades criminosas, com a instrumentalização de entrevistas ou discursos públicos como ‘material pré-fabricado’ para posterior postagens nas redes sociais de terceiros previamente coordenados”, disse.
Moraes disse ainda que não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que as redes sociais do deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do réu, foram utilizadas a favor do ex-presidente.
Fonte: R7
Foto: Rute Moraes/R7 Brasília