Apenas uma fração da malha hidrográfica do país é aproveitada de forma estruturada, e é nessa lacuna que a indústria náutica nacional enxerga espaço para crescer Com aproximadamente 8.500 km de litoral e 35 mil km de vias navegáveis internas, o Brasil tem uma das maiores redes hidrográficas do mundo, segundo dados do Governo Federal. Em diversas regiões do país, os rios não são cenário: são infraestrutura. Servem de transporte, sustentam a pesca profissional e esportiva, viabilizam fiscalização ambiental e movimentam operações de segurança e do setor petrolífero. Ainda assim, segundo a LEVEFORT, a fabricante de embarcações de alumínio mais antigas do país, o aproveitamento desse potencial ainda está muito aquém do que a extensão hídrica brasileira permitiria. Mais infraestrutura, acesso a crédito, marinas, rampas públicas e turismo estruturado são apontados pela empresa como fatores que poderiam ampliar significativamente, nas próximas décadas, o número de pessoas e empresas que utilizam as águas do país. O tamanho da economia que já gira em torno da água aparece em números do Ministério do Turismo. Um levantamento publicado em 2025 estima que cerca de 8 milhões de pessoas praticam pesca no Brasil, atividade que pode movimentar até R$3 bilhões por ano e gerar aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos. Um recorte anterior do mesmo ministério já apontava crescimento de 20% na movimentação financeira ligada à pesca esportiva entre 2019 e 2020, de R$634 milhões para R$761 milhões. Mais recentemente, o São Paulo Boat Show 2025 registrou alta de 7,1% em vendas, e o país já soma mais de 1 milhão de barcos registrados, números que a LEVEFORT lê como sinal de um setor em amadurecimento, no qual o lazer náutico deixa de estar restrito a grandes iates ou ao litoral e passa a ganhar força também nos milhares de rios, lagos e represas espalhados pelo território nacional. Essa curva de crescimento vem acompanhada de uma mudança no perfil do consumidor. De acordo com a LEVEFORT, não se trata apenas de mais gente entrando na pesca esportiva, mas de um pescador cada vez mais exigente, interessado em tecnologia, desempenho, segurança e conforto, o que se traduz em procura crescente por embarcações maiores, mais largas, com motorizações superiores e preparadas para receber sonares, GPS, motores elétricos e eletrônica embarcada. A atividade, segundo a empresa, deixou de ser apenas lazer de fim de semana para virar um verdadeiro lifestyle, com campeonatos, turismo especializado, pousadas, guias e toda uma cadeia econômica ao redor da pesca, muitas vezes o mesmo barco que disputa um torneio em um fim de semana serve para passear em família no outro. Paralelamente ao lazer, existe um segmento menos comentado, mas igualmente relevante para a indústria náutica: o das embarcações de trabalho, voltadas a transporte, fiscalização ambiental, forças armadas e operações do setor de óleo e gás. Para a LEVEFORT, o Brasil tem dimensão continental e uma quantidade enorme de rios, represas e áreas costeiras onde a embarcação não é lazer, é uma ferramenta de trabalho. Nesses projetos, resistência estrutural, segurança, autonomia e confiabilidade operacional ganham peso ainda maior, já que muitas dessas embarcações operam diariamente em condições severas. A distribuição da demanda também varia conforme a geografia do país, conforme observa a LEVEFORT. No Centro-Oeste, a pesca esportiva e o agronegócio concentram grande parte do consumo. Na Amazônia, os rios funcionam como rede viária primária, o que eleva a relevância das embarcações de trabalho. Já no Sudeste e no Sul, o uso predominante é o lazer em represas e grandes reservatórios. Para a empresa, é justamente essa diversidade regional, e não um único fator, como turismo ou agronegócio isoladamente, que explica a multiplicidade de frentes de crescimento do setor. O material por trás dessa expansão também ajuda a explicar o momento do setor. O alumínio se popularizou no país por combinar leveza, resistência, durabilidade, facilidade de transporte e baixa manutenção, características que, segundo a LEVEFORT, tornaram a embarcação acessível a um público muito maior e a regiões onde outras soluções eram pouco práticas, ajudando a consolidar uma cultura náutica que, seis décadas depois, segue em expansão.