Dados do IAB Brasil mostram investimento digital recorde no país; para a Volúpia, o diferencial não está em gastar mais, mas em unir Growth Marketing, dados, tecnologia e estrutura comercial O mercado de marketing digital no Brasil vive um paradoxo. Segundo o Benchmark Amper de Marketing Digital, o setor movimentou R$42,7 bilhões em mídia digital em 2025, alta de 12,7% sobre 2024, mas 71% das empresas não bateram suas metas de marketing no ano anterior. O IAB Brasil reforça o tamanho da oportunidade: o país investiu R$ 22,7 bilhões em publicidade digital em 2024, crescimento de 14,3% em relação a 2023, o que coloca o Brasil como o 7º maior mercado de publicidade digital do mundo e o maior da América Latina, respondendo por cerca de 45% do investimento digital de toda a região. A projeção para 2026 é de R$27,8 bilhões, um salto de 22% sobre 2024, ritmo superior ao de mercados maduros como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Redes sociais como Meta, TikTok e LinkedIn concentram 36% desse investimento, cerca de R$8,2 bilhões, e o digital já representa mais de 40% da quota de mídia via agências no país, superando a soma de TV aberta e TV paga. Mais investimento, portanto, não tem significado necessariamente mais resultado, e é nessa lacuna entre volume de mídia e previsibilidade de vendas e retorno que estratégias de Growth Marketing ganham espaço e empresas como a Volúpia dizem construir sua diferença. A Volúpia – Agência de Tráfego Pago é uma assessoria de Growth Marketing fundada por Italo Dos Santos e sua sócia Marcela Ferrazoli, um engenheiro de produção e uma química que migraram para o marketing digital depois de tentar, sem sucesso, encontrar agências que entregassem resultado de fato. “Já empreendemos em outra área e tínhamos dificuldade de encontrar agências que entregavam de fato resultado e entendiam de negócios, não só de marketing, então resolvemos abrir nossa própria agência usando nossas dores reais como empreendedores”, conta Italo, sócio e CRO da empresa. Antes de virar produto de mercado, a Volúpia nasceu como solução interna: “A Volúpia nasceu dentro da nossa empresa, e só a levamos para o mercado depois de validar nosso método. Somos o nosso primeiro case.” A bagagem acadêmica dos fundadores aparece na forma como a empresa opera. “A Engenharia de Produção trouxe visão de processos, indicadores, melhoria contínua e tomada de decisão baseada em dados. A Química trouxe método científico, organização, capacidade analítica e disciplina para testar hipóteses”, explica Italo. O resultado, segundo ele, é uma cultura de “menos achismo e mais experimentação, métricas e otimização a partir de dados validados que geram resultados concretos”, um discurso que dialoga diretamente com o dado do setor de que 82,4% dos profissionais de marketing já usam IA diariamente, crescimento de 88% em apenas dois anos. Para a Volúpia, porém, o diferencial não está simplesmente no uso de inteligência artificial no marketing, mas em como tecnologia, dados e estratégia são aplicados para gerar resultado. A Volúpia busca se diferenciar do modelo tradicional do mercado. “Nosso papel não é só entregar o serviço. Atuamos com um papel consultivo e estratégico e também entregamos o operacional”, diz Italo. Isso muda inclusive a lógica comercial: “Não vendemos a qualquer custo. Se um cliente quer um serviço de tráfego pago, uma agência vai e vende, nós não. Primeiro entendemos se faz sentido para o negócio dele, se é o melhor canal para investir e se tem fit com o produto ou serviço. Se entendemos que não é um canal de resultado para o cliente, não fechamos o contrato.” A frase que resume a filosofia: “Preferimos ‘perder’ um cliente dizendo a verdade, do que perder ele três meses depois sem ter resultado.” Na prática, isso significa acompanhar indicadores além das métricas de vaidade e tratar o marketing de performance a partir do impacto real no negócio. “Para campanhas analisamos CPM, CPC, CTR, CPL, CPMQL, indicadores que desenvolvemos e que foca em leads qualificados, CAC e ROAS”, detalha o executivo. A empresa desenvolveu duas soluções de IA nativa: o FastBlog, que produz artigos de blog otimizados para SEO, e o Plotado, uma plataforma de CRM que integra marketing, atendimento, automação de funil e agentes de IA para WhatsApp e para copiloto de vendedores. “Somos uma assessoria Martech, ou seja, tecnologia está no nosso DNA”, resume Italo. “Nós usamos todo nosso know-how para criar produtos que realmente impulsionam os resultados de vendas dos clientes.” Apesar do discurso consultivo, a porta de entrada dos clientes segue sendo a mais tradicional do mercado. “A principal porta de entrada continua sendo tráfego pago e consultoria de IA e, a partir de então, normalmente evoluímos para implantação de CRM, SEO, GEO, automações e estruturação comercial”, afirma. O dado de mercado ajuda a explicar por que: com 36% do investimento digital brasileiro concentrado em redes sociais, serviços de tráfego pago e gestão de mídias sociais seguem sendo o caminho mais natural de entrada para quem busca crescimento digital. Entre os cases citados pela empresa está a Infoprotect, que saiu de R$ 1,8 milhão para R$ 5 milhões de faturamento em pouco mais de três anos, a Besni, que passou de um ROAS de 3x para 11x em e-commerce, e a Taiga, que foi de R$ 60 mil para mais de R$ 500 mil em faturamento apenas com consultoria comercial, sem investimento em anúncios. Sobre prazos, Italo é direto: “Temos cases com resultados em duas semanas, mas uma consistência de previsibilidade de vendas, que é o nosso foco de construção, ocorre a partir de dois meses. Os fatores que influenciam são o segmento do mercado, capacidade de investimento, atendimento, entrega e estrutura comercial.” Para Ítalo, o empresário brasileiro amadureceu nos últimos anos, mas ainda carrega expectativas desalinhadas com a realidade do growth marketing. “Antes o foco era apenas ‘fazer anúncios’. Hoje muitos empresários já entendem a importância de dados, CRM, automação e integração entre marketing e vendas, e em construir um ecossistema pensando no longo prazo”, diz. “Muitos já se frustraram com agências