Saiba como funcionou o vazamento de dados de ministros do STF e como a PF chegou aos suspeitos
Auditoria interna da Receita identificou acessos sem justificativa funcional A investigação sobre o suposto vazamento de dados fiscais de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), do procurador-geral da República e de familiares começou com uma desconfiança: acessos ao sistema da Receita Federal sem explicação de trabalho. A partir daí, uma auditoria interna detectou um “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”, segundo relatório enviado ao Supremo. Os registros apontaram múltiplas consultas a informações protegidas por sigilo fiscal. De acordo com a apuração reunida no inquérito das fake news, servidores da Receita ou profissionais cedidos por outros órgãos acessaram dados fiscais de autoridades sem relação com suas funções. O inquérito foi aberto em 14 de março de 2019, por ordem do então presidente do STF, Dias Toffoli, para investigar a existência de fake news, denunciações caluniosas, ameaças e infrações que atingem a honorabilidade e a segurança do STF, assim como de seus membros e familiares. Após as consultas, as informações teriam sido divulgadas de forma fragmentada. Para a Procuradoria-Geral da República, esse uso seletivo de dados sigilosos pode ter servido para “produzir suspeitas artificiais, de difícil dissipação”. A conduta, em análise preliminar, apresenta aderência ao artigo 325 do Código Penal, sobre violação de sigilo funcional. No entanto, a PGR sustenta que o caso não se limita à quebra individual de sigilo fiscal, pois envolve exploração pública de dados protegidos. Entre os atingidos estariam esposas de ministros, filhos e outras pessoas relacionadas às autoridades. Como o esquema veio à tona Em 12 de janeiro deste ano, o STF solicitou à Receita auditoria nos sistemas para verificar acessos a dados de ministros e familiares nos últimos três anos. O trabalho entrou em procedimento já aberto pela Corregedoria do órgão após notícias divulgadas na imprensa. A Receita informou que seus sistemas são rastreáveis, o que permite identificar quem acessou cada informação. A auditoria, ainda em andamento, já apontou desvios comunicados ao relator no Supremo. Em nota, o Fisco declarou: “A Receita Federal do Brasil não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”. Desde 2023, segundo o órgão, houve ampliação de controles de acesso, restrição de perfis e reforço de alertas. No período, sete processos disciplinares foram concluídos, com três demissões. Operação e medidas judiciais Com base nas informações da Receita e em pedido da PGR, o ministro Alexandre de Moraes autorizou operação da Polícia Federal nesta terça-feira (17). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também houve quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Além disso, o Supremo determinou medidas cautelares contra os servidores Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes: Afastamento do cargo público; Proibição de acesso às dependências do Serpro e da Receita; Bloqueio de acesso a sistemas e bases de dados; Uso de tornozeleira eletrônica com recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana; Proibição de deixar a comarca; Cancelamento de passaportes e impedimento de saída do país. A reportagem tenta contato com as defesas dos servidores. O espaço segue aberto. Informações Na tarde desta terça, a Receita informou que não foi detectado nenhum acesso a dados fiscais sigilosos do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e seus familiares. “A nota do STF apenas informa que foram pedidos à RFB dados de acesso de todos os ministros do STF, do PGR e seus familiares. Ou seja, foi pedido auditoria de todos, mas não significa que houve acesso aos dados fiscais de todos, importante esclarecer esse entendimento”. Fonte: R7 Foto: Fellipe Sampaio/STF













