Scooters da Yamaha usam mesmo motor 160 com distância de preço de R$ 5 mil O avanço dos scooters no Brasil — que já representam cerca de 35% das vendas de motocicletas — fez a Yamaha trabalhar com mais precisão o posicionamento de cada produto. É nesse contexto que convivem Yamaha Aerox e Yamaha NMax: duas scooters da mesma marca, com a mesma mecânica, mas pensadas para usos e perfis diferentes. Motor compartilhado, respostas diferentes Aerox e NMax utilizam o motor monocilíndrico de 155/160 cm³, com cilindro em DiASil, arrefecimento a ar, sistema VVA e transmissão automática CVT, além do Stop & Start. O conjunto entrega 15,4 cv a 8.000 rpm e 1,4 kgf.m a 6.500 rpm. Na prática, o que muda não é o motor, mas o conjunto. A Aerox pesa 127 kg, cerca de 8 kg a menos que a NMax, o que se traduz em arrancadas mais rápidas, respostas imediatas no trânsito e sensação de maior vivacidade em baixas velocidades. A NMax, mais pesada e larga, responde de forma mais progressiva e previsível, favorecendo conforto e estabilidade. Chassi, posição de pilotagem e ergonomia As duas usam chassi do tipo Backbone, mas com acertos distintos. A Aerox tem posição de pilotagem mais aberta, com as pernas menos protegidas pela carenagem e console central elevado. Isso permite mudanças rápidas de trajetória e uma condução mais ativa. A NMax “veste” mais o piloto. A ergonomia prioriza conforto, com pernas mais protegidas, assento mais baixo — em torno de 765 mm, contra 790 mm da Aerox — e sensação de maior controle em velocidades constantes. NMax não tem reservatório de gás na traseira – Yamaha/Divulgação Suspensão: firmeza contra conforto Aqui está uma das diferenças mais claras. A Aerox usa suspensão traseira com Subtank duplo, com 86 mm de curso, enquanto o garfo telescópico dianteiro tem 100 mm. O acerto é mais firme, favorece controle e reduz afundamento em acelerações, mas cobra seu preço em pisos irregulares. NMax adota um conjunto mais macio – Yamaha/Divulgação A NMax adota um conjunto mais macio, sem reservatório de gás na traseira. O resultado é melhor absorção de buracos e valetas, especialmente em ruas mal conservadas, reforçando seu perfil urbano diário. Rodas, pneus e estabilidade Ambas utilizam rodas aro 14, mas com calibrações bem diferentes. A Aerox aposta em pneus mais largos, especialmente na traseira, com 140/70-14, o mais largo da categoria. Isso aumenta aderência e estabilidade em curvas e acelerações. A NMax utiliza 110/70-14 na dianteira e 130/70-14 na traseira, priorizando neutralidade e conforto. O conjunto transmite mais confiança para quem roda longas distâncias na cidade. Freios e segurança As duas scooters contam com freios a disco nas duas rodas e ABS aplicado à dianteira. O comportamento é semelhante no uso urbano, com frenagens seguras e progressivas, sem proposta esportiva radical. NMax aposta em um display mais funcional – Yamaha/Divulgação Tecnologia e itens de série Tanto Aerox quanto NMax oferecem Smart Key, Answer Back, painel digital, tomada USB e conectividade via Y-Connect, que permite monitorar consumo, uso, manutenção e histórico de pilotagem. A diferença está na apresentação: – A Aerox traz painel 100% digital em estilo blackout, com apelo esportivo. – A NMax aposta em um display mais funcional, voltado à leitura fácil e ao uso cotidiano. Dimensões e uso prático A Aerox é mais estreita (710 mm), o que facilita desvios no trânsito pesado e manobras entre carros. O tanque de 5,5 litros é suficiente para uso urbano, mas menor que o da NMax, que passa de 6 litros e favorece maior autonomia. Preço e posicionamento Aqui está o divisor de águas. A Yamaha Aerox 2026 custa R$ 18.990, enquanto a NMax 2026 chega a R$ 23.290, uma diferença próxima de R$ 5 mil. Esse valor posiciona a Aerox como a porta de entrada esportiva da Yamaha entre os scooters 160 cc, enquanto a NMax se mantém como opção mais completa e confortável — e também mais cara. Qual faz mais sentido? A escolha não passa pela ficha técnica do motor, mas pelo uso. Para o uso diário a Aerox é mais leve, mais ágil, visual esportivo, pneus largos e preço competitivo. Ideal para quem roda em trânsito intenso e busca dinamismo. Já a NMax é mais confortável, mais estável, melhor filtragem de piso e ergonomia superior para uso diário prolongado. No fim, a Yamaha mostra que o mesmo motor pode entregar experiências completamente diferentes, dependendo de chassi, suspensão, ergonomia e posicionamento — e é isso que explica a convivência de Aerox e NMax no mesmo segmento sem canibalização direta. Fonte: R7 Foto de capa: Yamaha/Divulgação