Na audiência pública desta quarta-feira (20), o presidente do Semae, Ronald Pereira da Silva (foto), anunciou que o reajuste de 18,4% na tarifa de água e esgoto permitirá investir R$ 327 milhões em obras e melhorias nos próximos dois anos. A audiência foi solicitada pelo vereador Renan Paes (PL), por meio do requerimento 775/2025, aprovado em plenário. Renan Paes destacou a importância da realização da audiência para a fiscalização dos atos do Executivo, bem como para esclarecer a população sobre os trâmites que envolvem o reajuste tarifário. “É importante para sabermos quais os investimentos que serão feitos pelo Semae”, afirmou. O presidente do Semae, Ronald Pereira da Silva, foi um dos convocados para a reunião, ao lado do procurador-geral do município, Marcelo Magro Maroun. Ambos apresentaram dados e o planejamento da autarquia para enfrentar os problemas hídricos de Piracicaba. Ronald destacou a necessidade de obras de grande porte para solucionar de forma definitiva a falta de água, como a registrada no final de 2024 e início de 2025. Segundo ele, os investimentos também são fundamentais para reduzir as perdas de água tratada no município. “Hoje, Piracicaba tem uma perda de aproximadamente 53% da água tratada. Com esses investimentos, conseguiremos reduzir esse percentual”, afirmou. Ao ser questionado por populares, acrescentou que “hoje a questão das perdas é o maior desafio do mundo”, citando que Campinas perde 12% da água tratada e a média nacional é de 38%. “Piracicaba nunca investiu em perda de água no sentido operacional. Campinas investe em perda de água desde 1994”, completou. O procurador-geral Marcelo Magro Maroun reforçou que o Semae precisa de obras estruturantes para que Piracicaba se consolide como cidade protagonista da região, por estes motivos há a necessidade dos investimentos de R$ 327 milhões em dois anos. Ele lembrou que, quando a atual gestão assumiu, soube que muitos empreendedores desistiram de investir no município devido à falta de condições para garantir abastecimento. Sobre a tarifa social de água de esgoto, voltada para a população mais carente, Maroun informou que 692 famílias foram atendidas em 2024 e 4.894 em 2025, crescimento de 607%. O vereador Marco Bicheiro (PSDB), no entanto, observou que, apesar da ampliação, o número representa apenas 0,65% da população. Reajuste na tarifa – A definição do reajuste das tarifas de água e esgoto é feita pela Ares-PCJ (Agência Reguladora das Bacias PCJ e do Consórcio Intermunicipal das Bacias Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que analisa a proposta da Prefeitura e verifica o reajuste necessário para que os investimentos sejam executados. Dois representantes da agência participaram da audiência. O coordenador econômico e contábil da Ares-PCJ, Lucas Cândido, afirmou que Piracicaba, assim como outros municípios, sofre com falta de água e tem alta necessidade de investimento. Em sua apresentação, destacou que a agência fiscaliza e regula 81 municípios da região, com duas metodologias de cálculo para reajuste de tarifas: uma para autarquias e municípios e outra para concessões. “A mesma metodologia aplicada em Piracicaba é utilizada em Americana, Sorocaba e Campinas, por exemplo.” Ele afirmou que sempre que o prestador indica novos investimentos, como no caso de Piracicaba, a agência define um cronograma de fiscalização, monitoramento e outras atividades para verificar a realização das obras. O planejamento é feito para 24 meses, e a Ares-PCJ cobra sua execução. O analista de regulação e fiscalização da Ares-PCJ, Paulo Marcos Faria Maciel, relatou ter participado por cinco meses do processo de analise do reajuste tarifário de Piracicaba. Elem disse que o Semae apresentou seu plano, analisado por meio do parecer 33/2025 da Ares-PCJ, disponível no site da agência, inclusive com detalhamento do cálculo tarifário e das projeções de gastos. A partir deste estudo detalhado foi possível definir o reajuste de 18,4% para que todos os investimentos necessários sejam contemplados. Ministério Público – Ivan Carneiro Castanheiro, procurador de Justiça do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente), ressaltou a importância de esclarecimentos sobre o abastecimento de água e a rede de esgoto. “Precisaríamos de investimento de monta para termos tratamento de esgoto de qualidade, para alcançarmos a meta de 90% em 2033, melhorar a qualidade de tratamento e atingir a universalização. Só assim a cidade terá condições de receber investimentos. Se não puder crescer, não pode investir. Não quero citar em números, mas precisamos de uma tarifa justa”, disse. A também promotora de Justiça do Gaema, Alexandra Facciolli Martins, apontou a segurança hídrica como tema sensível para o município. Ela disse que o papel do Ministério Público é contextualizar a situação, citando perdas, capacidade de tratamento e monitoramento. Defendeu acompanhamento próximo do planejamento de investimentos do Semae para os próximos anos. Ela também alertou sobre a contaminação de mananciais e ressaltou a importância de ampliar a produção de água e reduzir perdas. Águas do Mirante – Apesar de convidada, a empresa Águas do Mirante, responsável pela rede de esgoto do município, não enviou representantes à audiência. O vice-presidente da Câmara, vereador Rafael Boer (PRTB), questionou o presidente do Semae sobre a PPP (Parceria Público-Privada) com a concessionária. Para ele, a origem do problema está no contrato com a Águas do Mirante. “Observamos que é unilateral. De um lado, o Semae, estrangulado, faz a população pagar metade da água e metade do esgoto pelo mesmo valor. Se a pessoa não paga, a inadimplência nunca recai sobre a Águas do Mirante, porque o Semae precisa reembolsar”, afirmou. O vereador destacou que a empresa “nunca perde”. “Esse contrato precisa ser revisto. Com um contrato equilibrado, seria possível investir sem impor uma tarifa tão agressiva como esse aumento de 18%”, disse. Ele ressaltou não ser contra a PPP, mas defendeu equilíbrio. “Hoje, percebemos que a Águas do Mirante trata 100% do esgoto coletado, mas em bairros como Jardim Maria Cláudia e Parque Orlanda ainda há esgoto a céu aberto. Para coletar isso, será necessário pagar mais à terceirizada, à PPP. Então, a pergunta é: vocês realmente estão focados em reequilibrar o contrato com a PPP?”, questionou. O presidente do Semae respondeu que o prefeito Helinho Zanata (PSD) está há meses negociando com a