A Itália anunciou mudanças importantes nas normas para obtenção de cidadania por descendência, tornando mais restritivo o processo que anteriormente era considerado um dos mais acessíveis na Europa. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, as novas regras limitam a concessão de cidadania italiana apenas a pessoas com pais ou avós italianos.
Até o momento, qualquer indivíduo com um ancestral italiano vivo após 1861 tinha a possibilidade de solicitar a cidadania, independentemente do grau de parentesco. Essa alteração afeta diretamente milhares de brasileiros que estavam em busca do reconhecimento da sua herança italiana.
Especialistas em cidadania italiana afirmam que as pessoas que já haviam iniciado o processo de reconhecimento não serão impactadas pela nova legislação. A implementação das novas regras será gradual, com a criação de uma nova instituição em Roma, a partir de 2026, que ficará responsável por julgar os processos administrativos, centralizando as decisões que antes eram feitas pelos consulados e pelas administrações locais italianas.
A mudança levanta questões sobre as razões políticas por trás dessa decisão. Alguns analistas fazem comparações com políticas de imigração mais restritivas, como as adotadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. Além disso, o método utilizado para implementar a nova lei, por meio de um decreto, tem gerado discussões. Esse procedimento evita um debate mais amplo no Parlamento e na sociedade, gerando preocupações sobre a falta de transparência no processo legislativo.
Essas modificações nas regras de cidadania representam um desafio considerável para muitos descendentes de italianos ao redor do mundo, especialmente no Brasil, que conta com uma das maiores comunidades de origem italiana fora da Itália. Essa nova política reflete uma tendência global de endurecimento nas legislações de imigração e cidadania, o que pode ter consequências duradouras nas relações internacionais e nos fluxos migratórios.